O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu manter atrás das grades o turista argentino Eduardo Ignacio Murias, de 63 anos, acusado de cometer crime de racismo contra uma criança negra de apenas 7 anos. Nesta segunda-feira (8), o órgão negou o pedido de revogação da prisão preventiva do estrangeiro. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público mineiro, que considerou fundamental a permanência dele no Presídio de São João del Rei para garantir a ordem pública e o andamento das investigações.
O caso que chocou os passageiros e gerou revolta nas redes sociais aconteceu no dia 24 de maio, durante o tradicional passeio turístico de Maria Fumaça que liga as cidades históricas de São João del-Rei e Tiradentes. Na ocasião, o homem tirou fotos do garoto sem autorização e enviou as imagens por um aplicativo de mensagens com teor preconceituoso.
Em um dos prints aos quais as autoridades tiveram acesso, o argentino ironizava a situação e chegava a sugerir o absurdo de levar a criança para “trabalhar como escrava” cuidando de suas netas. Ao perceberem a atitude suspeita, outras pessoas que estavam no vagão alertaram a mãe do menino. Ela confrontou o suspeito, confirmou o teor das mensagens no celular dele e acionou a Polícia Militar, que efetuou a prisão em flagrante. O smartphone foi apreendido para perícia.
Após o episódio, a defesa de Murias iniciou uma série de tentativas para retirá-lo da cadeia, incluindo um pedido de habeas corpus já rejeitado no fim de maio. Na nova tentativa de soltura, os advogados usaram como argumento o relato do próprio investigado, que afirmou ter sido alvo de agressões físicas na ala prisional. Segundo o argentino, ele teria recebido socos de outros detentos logo no dia seguinte à sua chegada na unidade de detenção.
Diante da denúncia de violência, o tribunal determinou que o custodiado passe por um novo exame de corpo de delito complementar para avaliar as lesões e exigiu ações imediatas para resguardar sua vida. Paralelamente, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que abriu uma investigação interna e isolou o estrangeiro em uma cela individual para sua própria proteção.
Os detentos suspeitos de envolvimento na agressão serão ouvidos pelo Conselho Disciplinar do presídio e devem sofrer punições administrativas. O espaço para a manifestação dos advogados de defesa do argentino permanece aberto pelas autoridades e veículos de imprensa. (Com Roma News)


