No caso de uma catástrofe na Terra, muitos dos animais do planeta estariam a salvo.
Como isso seria possível? Cientistas têm a resposta: eles pretendem enviar à Lua amostras de células de uma rica variedade de animais da Terra.
O biorrepositório conteria células congeladas de milhões de espécies animais “criopreservadas”, de mamíferos a répteis, pássaros e anfíbios, numa nova e tecnológica “Arca de Noé”.
No caso de a vida na Terra ser extinta, essas células poderiam ser clonadas para criar uma nova vida — na Terra, na Lua ou em outro planeta.
Cientistas do Instituto Nacional de Zoológico e Biologia da Conservação (NZCBI) do Smithsonian, em Washington (DC, EUA) delinearam um plano extremamente ambicioso em artigo publicado na “BioScience”.
Embora não estimem o custo exato de um biorrepositório lunar, eles dizem que provavelmente será cinco vezes mais caro de estabelecer do que um na Terra, mas mais barato de manter.
“Inicialmente, um biorrepositório lunar teria como alvo as espécies mais em risco na Terra hoje”, disse a autora principal do projeto inédito, Mary Hagedorn, uma criobióloga do NZCBI. “Mas nosso objetivo final seria criopreservar a maioria das espécies na Terra”, emendou ela.
A uma distância média de 384,4 mil quilômetros, a Lua está longe o suficiente da Terra para sobreviver a um colapso climático ou nuclear que acabaria com os animais do planeta. Além disso, o satélite natural é frio o suficiente para manter amostras de células animais congeladas, sem a necessidade de eletricidade como na Terra.
Os cientistas propõem localizar o “biorrepositório” nas regiões polares particularmente frias da Lua, que têm crateras que nunca recebem luz solar devido à sua orientação e profundidade.
Os especialistas se inspiram no “Global Seed Vault”, em Svalbard (Noruega), um bunker subterrâneo que armazena sementes congeladas caso as plantações da Terra sejam dizimadas.
Em 2017, o degelo do permafrost (terreno que tenha permanecido congelado durante pelo menos dois anos e que está formado por terra, rochas e sedimentos amalgamados em um todo pelo gelo, o qual age como cimento) ameaçou a coleção com uma inundação – mostrando que até mesmo um bunker subterrâneo pode ser vulnerável às mudanças climáticas.
Como parte do estudo, a equipe liderada por Hagedorn criopreservaram amostras de pele de um peixe de recife chamado gobi estrelado – especificamente de suas barbatanas. Elas contêm um tipo de célula da pele chamada fibroblastos, que produzem a estrutura dos tecidos animais e desempenham um papel crítico na cicatrização de feridas.
Em seguida, as amostras passarão por testes de exposição à radiação – semelhante à que a superfície lunar é exposta – para se preparar para o envio de material biológico à Lua.
O primeiro carregamento de amostras de células das espécies mais ameaçadas poderá ser transportado junto com astronautas como parte de futuras missões à Lua sob o programa Artemis, da Nasa (agência espacial dos EUA). (Com Extra)


