Integrantes da cúpula do PL e políticos próximos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) passaram a atuar desde ontem como bombeiros para reduzir os danos causados pela mais recente crise na principal pré-candidatura presidencial da oposição. Os vídeos publicados por Michelle nas suas redes sociais, acusando Flávio de a humilhar, desrespeitar e lhe dar uma “punhalada”, não levando em conta suas posições políticas, caíram como uma nova bomba sobre a campanha do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No momento em que tenta amenizar o desgaste pela revelação do áudio pedindo recursos para o ex-sócio do banco Master Daniel Vorcaro e lida com as acusações de ter ajudado a insuflar o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Flávio sofre um baque na sua aproximação com o eleitorado feminino, um ponto fraco do bolsonarismo. A cúpula do PL, incluído o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e líderes bolsonaristas, articularam uma espécie de trégua entre os dois lados. Mas tentam, agora, garantir que a trégua será duradoura e “para valer”, sob pena do comprometimento definitivo da campanha presidencial.
Sinais – O primeiro resultado dessa negociação foi uma nota de Flávio, divulgada no fim da noite, dizendo que não tinha ofendido Michelle, mas que pedia desculpas se o tivesse feito. Pela manhã, Michelle também avisou pelas suas redes sociais que “não queria briga” e que não tinha raiva de ninguém. Também convergiu com o pregado pela cúpula do PL dizendo que o objetivo comum era a vitória contra o governo do PT.
Antigo – Segundo integrantes do bolsonarismo, a crise entre Michelle e Flávio era uma bomba-relógio, já que havia forte descontentamento dela com seu escanteamento em relação à campanha presidencial e também à montagem das alianças estaduais. Michelle se sentiu particularmente contrariada com a situação do Ceará, por conta do acordo fechado em torno da pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) e decidiu gravar seus vídeos.
Avisou – Michelle avisara publicamente, na segunda-feira, que tinha gravado um vídeo “explicando o que aconteceu no Ceará”. Na ocasião, a ex-primeira-dama usou suas redes sociais para informar que publicaria a gravação “em breve”, o que acabou ocorrendo ontem.
Explicação – Junto com o aviso, Michelle publicou nas redes um trecho de uma entrevista de Ciro para a revista Veja na qual afirmava que Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva eram iguais. Na mesma postagem, a ex-primeira-dama comentou: Nunca foi ?para tirar o PT’ e sim por projetos de poder. Já gravei um vídeo explicando o que aconteceu no Ceará e vou publicá-lo em breve”, anunciou, reforçando: “Em breve no Instagram”.
Avisado – Segundo interlocutores do senador, ele foi avisado que a situação estava saindo do controle. Aliados comuns tentaram interceder, sem sucesso e a publicação do vídeo aconteceu poucos minutos antes da partida do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo.
Sem clima – Havia uma tentativa de se organizar na próxima semana uma reunião entre Flávio e Michelle, com representantes da ala feminina do bolsonarismo numa tentativa de demonstração de unidade. Segundo interlocutores dos dois lados, até o momento, não há clima ainda para esse encontro.
Árbitro – Mesmo em prisão domiciliar, integrantes do PL acreditam que somente Jair Bolsonaro terá a capacidade de estabelecer algum tipo de controle na desavença.
Gol contra – Integrantes do PL lamentam que a crise ainda serviu para que a própria direita ofuscasse a repercussão da saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Rifado do cargo “em comum acordo” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wagner anunciou sua saída e pôde mergulhar, após se desgastar por quase uma semana, depois de ser alvo de uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal em seus endereços por supostamente receber vantagens para atuar a favor do Master. (Com O Liberal)


