Depois de 16 anos, o assassinato de um advogado, em Brasília, pode estar perto de um desfecho. No próximo dia 20, ocorre a audiência de instrução e julgamento do ex-deputado federal Avenir Ângelo Rosa Filho, suspeito de envolvimento no homicídio do advogado Wagner Alves Coutinho, em 30 de abril de 2003, na Asa Norte.

Na época, Avenir foi apontado como responsável pelo crime pelo genro da vítima, em depoimento na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). Parentes do advogado também relataram ameaças de morte porque Coutinho teria provas de crimes eleitorais cometidos por Avenir. Acusado de homicídio qualificado, o ex-deputado concorreu a deputado distrital em 2002, sem se eleger.

Agentes que trabalharam na investigação do caso encontraram indícios de que a morte de Wagner Coutinho foi premeditada. O advogado levou um tiro no pescoço após ser abordado por dois homens no estacionamento do bloco K da 104 Norte, em plena luz do dia, por volta das 10h30. Ele havia acabado de sair da casa da mãe, que vivia no prédio.

Os dois homens fugiram sem roubar nada. Um vizinho que assistiu à cena da janela, contou, em depoimento, ter visto os dois homens saindo de trás de uma árvore e um deles atirando. Wagner morreu no local, antes da chegada de socorro médico. Os criminosos pegaram um táxi, no ponto da 304 Norte, e fugiram. O taxista contou aos policiais que achou os dois homens suspeitos, mas preferiu não recusar a corrida e os deixou na Rodoviária do Plano Piloto.

Antecedente criminal 

Deputado por Roraima entre 1991 e 1995, Avenir Ângelo Rosa Filho teve um mandado de prisão expedido pela Justiça Eleitoral de Boa Vista, decorrente de uma denúncia do Ministério Público baseada em um inquérito policial instaurado em 1991.

Segundo as acusações, ele teria prometido casas a eleitores em troca de votos. Em 1998, a denúncia de compra de votos foi recebida. O ex-deputado nunca foi preso, porque os advogados de defesa recorreram da decisão. A defesa do suspeito ainda não se manifestou sobre a acusação.