A infância de Anny Freitas pode ser resumida em uma única palavra: futebol. A casa da atacante em Marabá, no Pará, ficava estrategicamente localizada em frente a um campinho, onde ela passava seus dias jogando com seus amigos. Há uma semana, seu talento desfilou em outro campo: a camisa 9 do Vasco marcou cinco dos 15 gols na goleada sobre a Cabofriense.
Para chegar ao Vasco, Anny teve de superar a péssima estrutura para praticar a modalidade no Pará. Seus pais, Iranildes e Carlos, sempre incentivaram o esporte na família e criaram o Centro Esportivo Bola de Ouro para que Anny e seu irmão tivessem onde treinar. No início, eles tentaram conseguir apoio financeiro da prefeitura de Marabá, mas tiveram o pedido negado.
– Eles (pais) montaram uma escolinha do zero para que eu e meu irmão continuássemos jogando. No início, meu pais tiravam dinheiro do próprio bolso para pagar a inscrição do time e podermos participar dos campeonatos.
Com o esforço dos pais, Anny conseguiu uma vaga na equipe do Paysandu aos 16 anos e foi morar com a tia Ângela em Barcarena. Todos os dias acordava às cinco da manhã para pegar a barca de Barcarena até Belém e depois entrava em um ônibus até o treino. O trajeto todo durava em média três horas.
Pelo fato de a tia ser vascaína, Anny sempre teve o sonho de vestir camisa do Vasco, e a chance veio quando o Paysandu enfrentou o clube carioca no Brasileiro Sub-18 de 2019. Naquela partida, viram o talento da atacante e, na temporada seguinte, Anny embarcou para o Rio de Janeiro sozinha para viver seu sonho.
– Quando eu cheguei no clube minha tia falava brincando: “Não esquece de mim, traz uma camisa do Vasco para mim”. É uma sensação incrível poder jogar aqui, essa camisa é muito pesada, eu não tenho palavras pra descrever.
Hoje, Anny vive seu melhor momento no Vasco e lidera, até agora, a artilharia do estadual 2021 com cinco gols, seguida de Kélen do Botafogo, com quatro gols. O Vasco volta a campo neste domingo, às 15 horas, contra o Serra Macaense, no CT Artsul. (ge)


