Estudantes do curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) denunciam que faltam professores. Em quase todos os semestres, diz um grupo de alunos, há disciplinas sem docentes. Ou com a quantidade reduzida. Algumas disciplinas perderam locais de prática, como a sala de partos da Fundação Santa Casa de Misericórdia. Nas redes sociais, os discentes estão cobrando uma solução para o caso. As denúncias podem ser conferidas pela hashtag #SOSUEPA.

Ana Carolina de Castro, aluna do oitavo semestre, aponta que o último concurso ocorreu em 2012. Desde então, só professores temporários podem ser contratados. E são contratos de, no máximo, dois anos. Para assumir outra vaga, são necessários mais seis meses. Caso professores precisem se ausentar por licenças ou qualquer outra razão, as vagas não são preenchidas. O último concurso estava previsto para o ano passado, mas não foi feito.

Quando ocorre a saída de um temporário, diz Ana Carolina, outros profissionais são encontrados de forma improvisada. Alguns sem pagamento ou contrato assinado. Outros como horistas, que têm uma remuneração bem abaixo do mercado. Nesse período de seis meses, entre cada contrato temporário, alguns professores são efetivados em outros empregos e não retornam.

“Teoricamente, a Uepa tem professores para todo mundo. Mas muitos destes estão em processo de aposentadoria. Alguns têm licenças prêmio acumuladas e aproveitam para emendar com a aposentadoria. Ao pedir aposentadoria, o professor ainda é obrigado a dar aula por 90 dias. Depois disso, não é mais obrigado a continuar indo. Só que as aposentadorias estão demorando muito a sair e as vagas ficam presas”, pontua Carolina.

Além dos sete anos sem concurso, outro obstáculo apontado para a falta de professores é o plano de cargos, carreira e remuneração (PCCR). O último ajuste foi em 2006. Desde então, destaca a estudante, a universidade cresceu muito. No entanto, o PCCR não acompanhou as novas demandas.

Entre os módulos com mais prejuízos pela falta de professores estão Gestão, Interação, Ensino, Serviço e Comunidade (GIESC) e Habilidade Profissionais. Ambos são eixos que têm muitas atividades práticas e demandam dois ou três professores por disciplina. Mas muitas das disciplinas têm só um profissional. Neste semestre, diz Ana Carolina, os estudantes têm conseguido ter aulas, ainda que com dificuldade e distantes do padrão de qualidade estabelecido no Plano Político-Pedagógico da universidade. Mas no ano passado, algumas disciplinas ficaram sem professor, como Geriatria.

Nas atividades práticas, o ideal é que as turmas fossem de, no máximo, cinco alunos. No módulo GIESC, os estudantes acompanham um profissional em unidades públicas de saúde. São locais com consultórios pequenos. Pela falta de professores, é preciso alocar vários alunos além do recomendado. É desconfortável para os estudantes. Mais ainda para pacientes. Ana Carolina cita ocasiões em que 14 discentes estavam no mesmo consultório.

“Estamos clamando por ajuda. Nosso futuro é incerto. Consequentemente, isso torna incerto o futuro da saúde do nosso estado, uma vez que seremos os futuros médicos do Pará. Estamos fazendo essa mobilização porque queremos bem a nossa universidade. estamos tendo um bom diálogo com a coordenação do curso, mas algumas coisas já não são mais apenas responsabilidade da Uepa”, conclui a estudante. O Centro Acadêmico de Medicina José Arrais (Camja) já solicitou providências. A instituição só tem conseguido soluções paliativas. A Redação Integrada de O Liberal aguarda posicionamento da Uepa.

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