Agricultores familiares sofrem com falta de incentivos em São João do Araguaia

Diante da inação das autoridades municipais, o Ministério Público, por meio da Promotoria de Marabá, tomou providências para buscar soluções para essa problemática

Agricultores familiares do município de São João do Araguaia, no sudeste do Pará, têm enfrentado sérias dificuldades em sua jornada produtiva devido à falta de incentivos por parte da prefeitura. A escassez de apoio tem resultado em uma oferta ínfima de produtos provenientes da agricultura familiar para a merenda escolar da cidade, além de não contarem com a certificação adequada, devido à ausência de orientações e treinamentos necessários para o exercício de seu trabalho.

Diante da inação das autoridades municipais, o Ministério Público, por meio da Promotoria de Marabá, tomou providências para buscar soluções para essa problemática. Na última quarta-feira (19), a Promotora de Justiça Alexssandra Muniz Mardegan convocou uma reunião no município de São João do Araguaia, com o propósito de discutir e fortalecer a agricultura familiar na região. O encontro contou com a participação da prefeita do município, Marcellanne Cristina Carneiro Sobral, dos secretários municipais de Agricultura e Educação, do Presidente da Câmara Municipal e do Presidente do Conselho de Alimentação Escolar.

Um dos momentos mais destacados da reunião foi a leitura integral da Recomendação Ministerial n.º 018/2020, realizada por Jairo Mororó, Técnico do Ministério Público. Essa recomendação visa garantir a observância do Art. 14 da Lei n.º 11.947/2009, que determina a utilização de, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações.

Durante a reunião, constatou-se uma preocupante falta de informação e conhecimento por parte dos presentes, incluindo gestores municipais e membros do Conselho de Alimentação Escolar. A maioria demonstrou desconhecimento sobre o teor da Recomendação Ministerial n.º 018/2020, o que evidenciou a necessidade de uma maior divulgação e conscientização acerca do assunto.

O presidente do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), Edimilson Vieira dos Santos, compartilhou informações sobre o cumprimento da legislação em São João do Araguaia. Segundo ele, o município atingiu pouco mais do patamar mínimo de 30% da composição da merenda escolar com produtos fornecidos pela agricultura familiar. Entretanto, esse número ainda é insuficiente, levando em consideração o potencial que os agricultores familiares locais têm para oferecer.

Frente a essa situação preocupante, a Promotora de Justiça, Alexssandra Muniz Mardegan, enfatizou a importância da cooperação entre o Ministério Público e a gestão municipal para superar os desafios enfrentados pelos agricultores familiares e garantir uma merenda escolar de qualidade para os estudantes da região. Ela ressaltou que é imprescindível proporcionar orientações e treinamentos adequados aos lavradores, a fim de capacitá-los para que possam desempenhar suas atividades de forma segura e em conformidade com as regulamentações.

A reunião concluiu-se com o comprometimento das autoridades presentes em trabalhar em conjunto para buscar soluções que impulsionem a agricultura familiar em São João do Araguaia e garantam a oferta regular de produtos certificados para a merenda escolar. (Portal Debate)

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