DA REDAÇÃO — Na tarde deste domingo (22/12), um trecho da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, localizada sobre o rio Tocantins, desabou, provocando a queda de sete veículos e deixando um cenário de tragédia e preocupação ambiental. O acidente resultou na morte de pelo menos cinco pessoas, incluindo um casal e uma criança de 11 anos, e na interdição completa da estrutura, que é crucial para a ligação entre Tocantins e Maranhão.
As vítimas confirmadas são uma jovem de 25 anos, identificada como Alana, e um homem de 42 anos, identificado como Marçon Gley Ferreira. Ambos estavam em motos. Também estavam Silvana, Aloísio e uma criança de 11 anos, todos naturais de Dom Eliseu, no sudeste do Pará. A família viajava em direção ao município de Estreito (MA), onde Aloísio, motorista de carreta, faria uma entrega de portas. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) do Maranhão para identificação oficial. Outras dez pessoas seguem desaparecidas, entre elas duas crianças, quatro motoristas de caminhões e ocupantes de motos.
Detalhes do acidente e riscos ambientais
Entre os veículos que caíram no rio, dois caminhões transportavam materiais perigosos: um carregava ácido sulfúrico e outro defensivos agrícolas, resultando em vazamentos de substâncias altamente tóxicas no rio Tocantins. A prefeitura de Estreito (MA) emitiu um alerta recomendando que moradores e comunidades situadas a jusante da barragem evitem qualquer contato com a água do rio devido ao risco de contaminação.

O comunicado destaca que o contato com essas substâncias pode causar queimaduras, intoxicações e outros problemas graves de saúde. A população foi orientada a aguardar novas instruções antes de utilizar a água para qualquer finalidade.
As equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e outras autoridades estão monitorando a situação para avaliar os impactos e prevenir maiores danos. A profundidade do rio, de cerca de 30 metros, e a forte correnteza dificultaram as buscas subaquáticas, que foram suspensas por questões de segurança. No entanto, as buscas na superfície continuam.
Interdição da ponte e rotas alternativas
A ponte Juscelino Kubitschek, com 533 metros de extensão, teve seu vão central comprometido, levando à interdição total da estrutura. O governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (REP), anunciou a decretação de estado de emergência para a reparação da ponte, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) investiga as causas do acidente.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), lamentou a tragédia e afirmou que as equipes do governo “seguem oferecendo todo o suporte necessário aos técnicos do governo federal, para garantir o socorro e contornar os transtornos causados pela interrupção da via”.
Para minimizar os impactos no trânsito, foram estabelecidas rotas alternativas. Motoristas que saem de Tocantins devem utilizar a estrada que liga Darcinópolis (TO) a Luzinópolis (TO), seguir pela BR-230 (TO) até São Bento (TO) e, em seguida, acessar Axixá (TO) rumo a Imperatriz (MA). Para quem sai do Maranhão, a recomendação é utilizar a BR-226 no trecho de Estreito (MA) até Porto Franco (MA) e seguir pela BR-010 até Imperatriz.
Municípios que podem ser afetados
Caso a contaminação do rio Tocantins se espalhe devido ao vazamento de produtos químicos, diversas cidades localizadas ao longo do curso do rio podem ser prejudicadas. Após Estreito (MA), municípios como Imperatriz (MA), Porto Franco (MA), Itinga do Maranhão (MA) e outras comunidades ribeirinhas podem sofrer impactos, tanto na qualidade da água quanto na economia local.
No Pará, cidades como Tucuruí, Marabá, Jacundá e Cametá, que dependem do rio para abastecimento, pesca e transporte, também estão em risco caso a poluição não seja contida. Esse cenário reforça a necessidade de ações rápidas e monitoramento contínuo por parte das autoridades para minimizar os danos ambientais e sociais.
Repercussão e ações futuras
O governador do Pará Helder Barbalho divulgou mensagem pela redes sociais prestando solidariedade para as vítimas e seus familiares. “Toda minha solidariedade e meus sentimentos aos familiares e amigos das vítimas da queda de parte da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga o Tocantins ao Maranhão. O Governo do Pará se colocou à disposição para auxiliar nas buscas dos desaparecidos”, afirmou pelo X (antigo Twitter).
Toda minha solidariedade e meus sentimentos aos familiares e amigos das vítimas da queda de parte da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga o Tocantins ao Maranhão. O Governo do Pará se colocou à disposição para auxiliar nas buscas dos desaparecidos.
— Helder Barbalho (@helderbarbalho) December 23, 2024
O desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira sobre o rio Tocantins, ocorrido no último domingo, repercutiu amplamente tanto no Brasil quanto no exterior. A tragédia, que resultou em pelo menos cinco mortes e no derramamento de ácido sulfúrico no rio, foi destaque em veículos de comunicação internacionais.
O portal australiano news.com.au relatou que o colapso da ponte, que conectava os estados de Tocantins e Maranhão, foi capturado em vídeo por um vereador local que alertava sobre as más condições da estrutura. “O incidente envolveu a queda de um caminhão-tanque carregado de ácido sulfúrico no rio Tocantins, causando preocupações ambientais significativas”.
A agência de notícias Reuters também noticiou o evento, destacando que a ponte de 533 metros, inaugurada em 1960, fazia parte da rodovia BR-226, uma ligação crucial entre Brasília e Belém. “O colapso ocorreu enquanto veículos atravessavam a estrutura, resultando na queda de um caminhão-tanque que transportava ácido sulfúrico, levando ao derramamento da substância no rio. As operações de resgate foram interrompidas devido ao vazamento químico, aumentando as preocupações com a contaminação ambiental”.
No Brasil, diversos veículos de mídia cobriram extensivamente o desabamento, enfatizando as perdas humanas, os riscos ambientais e as interrupções no tráfego entre os estados afetados.
A tragédia reforça a necessidade de manutenção e monitoramento de infraestruturas críticas, especialmente em regiões com grande fluxo de veículos pesados. Além de lidar com as perdas humanas, as autoridades também enfrentam o desafio de prevenir uma crise ambiental devido ao vazamento de produtos químicos no rio Tocantins. Enquanto isso, o trânsito na região segue prejudicado, com a interdição da ponte afetando diretamente a logística entre Tocantins e Maranhão. (Portal Debate)


