Acidente com ônibus do IFPA: um ano depois, sobreviventes transformam dor em recomeço

A tragédia que deixou quatro mortos e vários feridos em Tucuruí completou um ano em maio

Um ano depois do acidente com o ônibus do Instituto Federal do Pará (IFPA) que deixou quatro mortos e vários feridos em Tucuruí, no sudeste paraense, as marcas da tragédia permanecem vivas na memória de estudantes, servidores e familiares. Ao mesmo tempo, histórias de superação ajudam a dar novo significado a uma das páginas mais dolorosas da história da instituição.

O acidente ocorreu em 26 de maio de 2025, quando um ônibus que transportava cerca de 40 pessoas, entre alunos e servidores dos campi Castanhal e Vigia, seguia para os Jogos dos Institutos Federais (JIF 2024), em Tucuruí. O veículo colidiu contra a estrutura de acesso ao túnel das eclusas da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, resultando na morte de quatro ocupantes e deixando diversos feridos.

As vítimas fatais foram o estudante Paulo Vinícius da Silva Borges, de 17 anos, e os servidores Amanda Cristiani da Silva Costa, Suany Couto Teixeira Nunes e Edinaldo de Jesus Ferreira Meireles.

Acidente

Passados 12 meses da tragédia, sobreviventes seguem superando os desafios emocionais do acidente. Entre eles está a estudante Ana Vitória, que utilizou as redes sociais para compartilhar, pela primeira vez de forma detalhada, o que viveu antes, durante e depois do acidente.

No relato, a jovem descreve como o dia que antecedeu o acidente se transformou em uma lembrança marcante. “A vida não avisa quando algo está acontecendo pela última vez. Quando li essa frase, só consegui lembrar do dia que antecedeu a minha morte. Sim, a minha morte”, escreveu.

Ela relembrou momentos simples vividos com a família na véspera da viagem para a escola e afirmou que aquele domingo acabou se tornando uma despedida involuntária da vida que conhecia até então.

“Jantei com a minha família. Conversamos, demos risadas e tomamos picolé. Como eu já disse, pela primeira vez em muito tempo. Aproveitei cada minuto daquele dia incrível que, para mim, seria o último”, contou.

Na manhã seguinte, a rotina parecia comum. A estudante seguiu para o ponto de ônibus sem imaginar que sua vida mudaria completamente poucas horas depois.

“Coloquei meu fone de ouvido, dobrei meu moletom e encostei na janela. A rotina seguia normal, como em todos os outros dias. Eu já estava dormindo. E é engraçado pensar que, depois daquele momento, eu só voltaria a lembrar da minha vida três meses depois”, relatou.

Internação

Segundo a jovem, ela permaneceu internada por cerca de três meses. Ao despertar, precisou enfrentar uma nova realidade.

“Quando acordei, já estava em um hospital. Eu havia sofrido um acidente a caminho da escola, ficado 72 dias entubada, passado três meses em um hospital e não tinha mais uma das pernas”, escreveu Ana.

Ela também descreveu o sentimento de confusão e sofrimento ao tomar consciência do que havia acontecido. “A realidade era que eu estava perdida. Quanto mais os dias passavam, mais eu pensava que tudo aquilo era apenas um pesadelo”, afirmou.

Luta

No relato, Ana revelou ainda que foi uma das últimas vítimas retiradas das ferragens e que o quadro clínico inicial era considerado extremamente grave pelos profissionais de saúde. Ela contou que foi resgatada quase duas horas após o acidente e que recebeu prognósticos considerados mínimos de sobrevivência. Segundo a jovem, os médicos avaliaram que, mesmo em caso de recuperação, as sequelas poderiam ser severas.

“Os médicos me deram 0,01% de chance de acordar. E, caso eu acordasse, acreditavam que ficaria em estado vegetativo, sem falar, enxergar, ouvir ou reconhecer as pessoas”, escreveu.

Superação

Contra todas as expectativas, ela recuperou a consciência e iniciou um longo processo de reabilitação. “Quando acordei, eu falava, ouvia, enxergava e ainda reconhecia todo mundo”, relatou.

Ana atribui a recuperação à fé e ao apoio recebido durante o período de internação. “Para os médicos, eu era um caso perdido. Contudo, eles não contavam que as orações de centenas de pessoas ajudariam a reverter aquele quadro. A morte virou vida. O luto virou alegria. O choro virou canto”, escreveu a estudante.

Um ano depois da tragédia, a data permanece como um marco de dor para a comunidade acadêmica do IFPA. Ao mesmo tempo, histórias como a dessa estudante mostram como sobreviventes têm reconstruído suas vidas após o acidente, transformando perdas, cicatrizes e desafios em exemplos de resistência e recomeço.

As circunstâncias do acidente foram investigadas pelas autoridades competentes. Enquanto isso, familiares, amigos e colegas mantêm viva a memória das vítimas e o legado daqueles que tiveram suas vidas impactadas para sempre pela tragédia. (Com IFPA)

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