Açaiteria é acusada de estelionato após vender e não entregar 6 toneladas de açaí em Marabá

Comprador pagou R$ 31 mil adiantados e, passados quase dois meses, não recebeu nem a devolução do valor nem o produto adquirido. Açaiteria alega que não conseguiu entregar açaí devido a prejuízos em razão de supostas quedas de energia. Equatorial nega que fornecimento de energia da empresa tenha sido interrompido na data alegada
Açaiteria acusada de cometer estelionato fica localizada no Km 7, em Marabá | Foto: Reprodução

DA REDAÇÃO — A reportagem do Portal Debate foi procurada na segunda-feira (14) pelo empresário Ernando Pereira dos Santos, que relatou estar sendo vítima de um suposto crime de estelionato envolvendo a açaiteria Açaí Ponto 7, localizada no bairro Km 7, núcleo Nova Marabá. Segundo Ernando, a negociação envolveu a compra de 6 toneladas de polpa de açaí no valor de R$ 60 mil, mas o produto não foi entregue conforme o combinado. Ele formalizou a denúncia por meio de um boletim de ocorrência registrado na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil.

De acordo com o relato de Ernando, a negociação foi fechada com Carla Daniele de Moraes Garcia, proprietária da Açaiteria Ponto 7, e seu marido, Weliton de Paula Borges. O empresário adiantou R$ 31 mil em quatro transferências via Pix entre os dias 14 e 25 de agosto de 2024. O casal se comprometeu a entregar a mercadoria em até 15 dias após o último pagamento. No entanto, após o vencimento do prazo, Ernando foi informado de que seria necessário um adiamento de 30 dias.

Mesmo após o período extra, a entrega não ocorreu. Ernando relata que, ao cobrar a entrega do produto, o casal informou que não iria mais fornecê-lo, mas se comprometeu a devolver o dinheiro com juros de R$ 3 mil. Eles pediram um novo prazo de 14 dias, o qual também não foi cumprido. Quando o empresário tentou novamente resolver a situação, foi orientado a “procurar seus direitos” e levar o caso à Justiça. Ernando afirma que Weliton enviou mensagens de áudio com ameaças e ofensas, agravando ainda mais a situação.

Versão da açaiteria

A açaiteria Ponto 7, por sua vez, apresentou outra versão dos fatos por meio de uma notificação extrajudicial assinada pelo advogado Leandro da Silva Alves. De acordo com o documento, a empresa enfrentou problemas técnicos que impediram o cumprimento do acordo, incluindo uma queda de energia no bairro no dia 2 de setembro que teria resultado na perda de 3 mil litros de açaí. A empresa afirmou que, devido a esse imprevisto, não conseguiu iniciar a entrega na data prevista de 5 de setembro de 2024.

A notificação também menciona que Ernando teria retirado 950 litros de açaí em 10 de setembro, mas que o produto teria sido devolvido estragado após uma nova queda de energia na câmara fria do empresário. A açaiteria alegou ter enfrentado outras dificuldades com o fornecimento de energia, o que resultou na impossibilidade de cumprir a totalidade do contrato. Ernando, por sua vez, nega ter recebido 950 polpas da empresa.

Ainda segundo a empresa, foi proposto um plano de devolução dos valores pagos, com parcelas a serem quitadas em 30, 60 e 90 dias, a partir de novembro de 2024 até janeiro de 2025. A notificação afirma que a empresa “está disposta a honrar o compromisso”, mas solicita a compreensão do empresário devido à “situação financeira difícil e aos problemas ocorridos”.

Equatorial nega falta de energia

O Portal Debate também procurou a concessionária de energia elétrica Equatorial Pará para fornecer detalhes sobre a suposta queda de energia alegada pela empresa Açaí Ponto 7 no dia 2 de setembro. Com base nas informações da conta-contrato do estabelecimento, a Equatorial garante que não houve queda de energia na data informada pela empresa e que o local já foi autuado por furto de energia elétrica mais de uma vez.

Conforme a Equatorial, o estabelecimento apresenta um consumo de energia alto para a localidade e possui, além do histórico de fraude, diversos reavisos (notificação enviada às pessoas que têm uma ou mais faturas de energia em atraso), o que demonstra que a empresa vem se expondo a riscos de cortes de energia, embora trabalhe com frios. A concessionária também informou que a energia não foi cortada, apesar das notificações de débitos pendentes.

A reportagem do diário de notícias também conseguiu apurar junto à Equatorial que a Açaí Ponto 7 possui placas solares, que a depender do modelo, podem armazenar energia e garantir o fornecimento no caso de uma eventual queda de energia. Esse é o caso do sistema off-grid, que não é conectado à rede elétrica. No entanto, o sistema on-grid é o mais utilizado pelos consumidores, gerando maior economia na conta com os chamados créditos energéticos. O portal não conseguiu levantar qual é o sistema usado pela açaiteria.

Caso de Justiça

Diante do caso, o comprador Ernando afirma que buscará seus direitos na Justiça para reaver o valor pago e responsabilizar os proprietários da açaiteria pelo suposto estelionato. Enquanto isso, a empresa sustenta que as supostas dificuldades técnicas e a “falta de compreensão” por parte do empresário levaram ao desacordo comercial.

A reportagem do Portal Debate tentou contato com o advogado Leandro da Silva Alves, responsável pela defesa da açaiteria, por meio de ligações e mensagens, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. (Portal Debate)

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