A poucas horas do fim da COP30, negociações prosseguem em Belém

Caso os países não cheguem a consenso até este horário, as tratativas poderão se estender durante a madrugada ou retornar neste sábado (22).

BELÉM (PA)–As negociações em torno do documento final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ainda não se encerraram, mesmo faltando poucas horas para o término do evento, às 23h50 desta sexta-feira (21). Caso os países não cheguem a consenso até este horário, as tratativas poderão se estender durante a madrugada ou retornar neste sábado (22).

No início da manhã, foram divulgados os rascunhos dos textos que estão em discussão, o chamado Pacote de Belém. Representantes da sociedade civil criticaram a falta de ambição das nações em relação às metas climáticas previstas no Acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento global a até 1,5ºC, como forma de evitar uma cadeia de catástrofes ambientais.Um dos principais pontos de frustração é a ausência do mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, principais responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa. O governo brasileiro, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu na inclusão de um cronograma para a transição energética, o que acabou ficando fora do texto final.

Para o Observatório do Clima, rede que reúne entidades da sociedade civil, a proposta apresentada atende mais aos interesses dos países produtores de petróleo. “Não há menção a combustíveis fósseis em nenhum dos textos, o que torna qualquer resposta aqui insuficiente. Na parte sobre financiamento, [o rascunho] cria um programa de dois anos sobre financiamento público. Mas como faz uma conexão com o artigo 9º [do Acordo de Paris] como um todo, a gente tem que esperar para ver a reação dos países árabes para ver iss vai ser suficiente”, apontou Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório.Ao longo do dia, grupos negociadores — como Grupo Africano, União Europeia, China+77, países árabes, entre outros — mantiveram intensas discussões sobre os rumos dos documentos.(Erika Marinho-Estagiária, com o Liberal)

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