Marabá completa 109 anos de história e desenvolvimento

Marabá é terra de sol forte, cultura rica e povo hospitaleiro. Sua fundação aconteceu em 5 de abril de 1913. Conheça mais sobre a história da cidade nesta publicação
Foto: Jordão Nunes

Os mais de 287 mil habitantes de Marabá, no sudeste do Pará, celebram o aniversário de 109 anos de emancipação político-administrativa da cidade nesta terça-feira, dia 5 de abril. Marabá é terra de sol forte, cultura rica e povo hospitaleiro. A fundação aconteceu em 5 de abril de 1913.

O povoamento da bacia do Itacaiunas tem na formação do município um papel importante, porque apesar dessa região ter sido explorada pelos portugueses ainda no século XVI, permaneceu sem ocupação definitiva durante quase 300 anos. Somente a partir de 1892 é que, de fato, o espaço foi ocupado por colonizadores.

A denominação Marabá tem origem indígena e significa filho do prisioneiro ou estrangeiro, ou ainda o filho da índia com o branco.

Criado em 27 de fevereiro de 1913 por reivindicação da comunidade marabaense, o município só foi instalado formalmente em 5 de abril do mesmo ano, data que passou a ser comemorada como seu aniversário e só recebeu o título de cidade em 27 de outubro de 1923, por meio da lei 2207.

Em 1929, a cidade já se encontra iluminada por uma usina à lenha e em 17 de novembro de 1935 o primeiro avião pousa no aeroporto recém inaugurado na cidade. Nesse período, a cidade era composta por 450 casas e 1500 habitantes fixos.

Com a abertura da PA-70, em 1969, Marabá é ligada à rodovia Belém-Brasília. E em 1980 a cidade é assolada pela maior enchente da sua história. Já restaurada, em 1988 dá início aos preparativos para a instalação de indústrias siderúrgicas, para produção de ferro-gusa, negócio que veio trazer grandes benefícios e expansão para o município.

A população do município aumentou significativamente e em meados de 1998 o número de habitantes fixos alcançava 157.884. Sempre nesse processo de crescimento é que no ano seguinte, a cidade, se firmou como a sede de grandes eventos de repercussão nacional: MARALUAR, EXPOAMA, FECAM e FICAM.

Atualmente a população marabaense está em torno de 199.946 habitantes, segundo dados do IBGE 2008, e o crescimento dessa estimativa e inevitável, já que a cidade está em processo de desenvolvimento acelerado e recebe muitas pessoas vindas de outras localidades.

Marabá vista de cima, a partir da confluência entre os rios Tocantins e Itacaiunas | Foto: Divulgação

Localização

Marabá encontra-se entre dois grandes rios, Itacaiunas e Tocantins. Vista de cima, o núcleo da Velha Marabá tem o formato de “Y”.

A cidade divide-se em cinco núcleos urbanos distintos: Marabá Pioneira ou Velha Marabá localizada as margens dos rios, Cidade Nova, onde se situa o aeroporto, Nova Marabá onde os bairros recebem o nome de folhas numeradas, São Felix I e II, situados depois da ponte sobre o rio Tocantins e Morada Nova, a 20 km de Marabá.

Localizada no Sudeste paraense, está entre o limite das cidades Itupiranga, Jacundá e Rondon do Pará ao Norte, São Geraldo do Araguaia, Curionopólis, Parauapebas e São Félix do Xingu ao Sul, Bom Jesus do Tocantins e São João do Araguaia ao Leste e Senador José Porfírio ao Oeste do estado. A distância que separa Marabá, da capital Belém é de 485 km.

Dados

Marabá, cidade em constante expansão, que com sua área de 15.092,268 Km², recebe pessoas oriundas de outros estados e as acolhe como filhos da terra.

Atualmente, o município é o quarto mais populoso do Pará, contando com aproximadamente 287.664 mil habitantes segundo estimativa do IBGE/2021, e com o 4º maior PIB do estado, com 4.423.290,222 mil, o seu IDH-M é 0,668, sendo considerado médio pelo PNUD/2010 e sua renda per capita em 2008 era de 17.974,31. É o principal centro socioeconômico do sudeste paraense e uma das cidades mais dinâmicas do Brasil.

Marabá tem como característica sua grande miscigenação de pessoas e culturas, que faz jus ao significado popular do seu nome: “filho da mistura”. A cidade também é conhecida como Cidade Poema, pois seu nome foi inspirado no poema Marabá do escritor Gonçalves Dias.

Os primeiros a participarem da formação do povoado de Marabá, no final do século XIX (1892), foram chefes políticos foragidos de guerrilhas que tinham como palco o norte de Goiás, mais precisamente a cidade de Boa Vista.

No que tange ao número de eleitores, a 23ª e a 100ª Zonas Eleitorais da cidade somam 165.678 pessoas aptas a levar seu voto até as urnas eletrônicas.

Marabá tem comércio forte e abre oportunidades para o empreendedorismo | Foto: Divulgação

Economia

O município de Marabá vivenciou vários ciclos econômicos. Até o início da década de 80 a economia era baseada no extrativismo vegetal, porém, a crise da borracha levou o município a um novo ciclo, desta vez, o ciclo da Castanha-do-Pará, que liderou por anos a economia municipal. Com o despontamento da Serra Pelada e por situar-se na maior província mineral do mundo, Marabá também viveu o ciclo dos garimpos, que teve como destaque maior, a extração do ouro.

Hoje, Marabá é o centro econômico e administrativo de uma vasta região da “fronteira agrícola amazônica”. Além, de contar com mais de 200 indústrias, sendo a siderurgia (ferro-gusa) a mais importante. Em segundo lugar está a indústria madeireira e a fabricação de telhas e tijolos. Outras vertentes trabalhadas são os produtos extrativos da pesca, seguidos da lavoura e pecuária, este último, com destaque para a qualidade do rebanho, sendo um dos mais expressivos rebanhos bovinos do Estado, resultado advindo do uso de tecnologia de ponta na seleção e fertilização.

Foto: Divulgação

O setor de comércio e serviços também tem sua parcela de contribuição. Marabá conta com aproximadamente 5 mil estabelecimentos divididos entre comércio formado por micros, pequenas, médias e grandes empresas e serviços Hospitalares, Financeiros, Educacionais, de Construção Civil e de Serviços Públicos.

A economia da cidade também conta com a produção de manganês e com a Agroindústria. Em Marabá, a Agroindústria trabalha com processamento de polpas, farinha de mandioca, beneficiamento de arroz, leite e palmito.

Gusa sustentável deve gerar milhares de empregos em Marabá

Nesta terça-feira (5), ocorre a cerimônia de assinatura de contratos pela mineradora Vale para a implantação do Projeto TecnoRed, em Marabá. O contrato tem por objetivo a construção de uma planta siderúrgica com a capacidade de produção de 500 mil toneladas de ferro-gusa, proporcionando a verticalização da produção minerária do estado. O investimento é de mais de R$ 1,6 bilhão.

O projeto, que será implantado no Distrito Industrial de Marabá (DIM), permitirá a produção de ferro-gusa com baixa emissão de carbono (gusa verde), e deverá gerar, na fase de implantação, 2,6 mil empregos diretos e indiretos e 400 postos de trabalho na fase operacional.

Ao longo de toda a sua vida útil, o projeto tem a expectativa de gerar R$ 15,2 milhões em salários por ano e R$ 350 milhões em exportações anualmente. A siderúrgica deverá impulsionar bastante a economia da Região do Carajás, em especial, Marabá.

Segundo a empresa, a iniciativa conta com uma tecnologia inovadora que permitirá a produção de ferro-gusa (usado na fabricação do aço) a partir da substituição de combustível fóssil por biomassa, reduzindo significativamente as emissões de carbono.

Desenvolvida ao longo dos últimos 35 anos, a tecnologia permite, ainda, a eliminação de etapas anteriores à produção do aço na usina siderúrgica, proporcionando a redução na emissão de gases do efeito estufa.

Hospital de Campanha de Marabá foi desativado ainda em 2020 – Foto: Divulgação/Agência Pará

Pandemia

O último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) aponta que Marabá registrou 23.800 casos confirmados da covid-19, doença do novo coronavírus, desde o início da pandemia, em março de 2020. Do total, 528 pacientes faleceram. A maior incidência da doença na cidade é entre o público feminino, com idade compreendida entre 21 e 50 anos, com 64,6% de contágio.

Ainda segundo os dados divulgados pelo município, que já flexibilizou uma série de restrições decorrentes da pandemia — como uso de máscaras, lotação de ambientes e funcionamento de empreendimentos noturnos — nos últimos meses, Marabá tem dois leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados, de um total de 10 (o equivalente a 20%), seis leitos de Enfermaria ocupados, de um total de 24 (o equivalente a 25%), e nenhum leito de Unidade de Cuidados Especiais (UCE) ocupado, sendo que seis estão disponíveis ao todo.

A maior a crise sanitária enfrentada pela humanidade nos últimos 100 anos produziu efeitos em vários segmentos sociais, inclusive na economia, com o aumento do desemprego e a diminuição da renda do trabalhador. Em Marabá, as pessoas detentoras de menor renda e que, portanto, se encontram na faixa da pobreza, foram as que mais sofreram as penalidades impostas pela pandemia.

Tratando-se especificamente do município de Marabá e sua região de influência, é possível identificar um conjunto de efeitos diretos e indiretos provocados pela pandemia. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o município de Marabá possuía em 2019 cerca de 36 mil pessoas empregadas formalmente. Sendo que os principais setores a empregar foram: o comércio, com 13 mil pessoas; os serviços, 11,5 mil; e a indústria de transformação, 4,7 mil.

Foto: Naldinho Fontenele

Enchente

Banhada por dois grandes rios, Marabá sofre há anos com o efeito das enchentes. A maior delas aconteceu no ano de 1980, quando o Núcleo Pioneiro ficou completamente submerso com o Rio Tocantins atingindo a marca de 17 metros e 42 centímetros. A enchente deste ano, que veio fora de época, alcançou 13 metros e 10 centímetros acima da normalidade, sendo a maior das últimas duas décadas.

Uma tabela produzida pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, com base nos níveis observados pelo Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica (Dnaee), relaciona os níveis máximos que o Rio Tocantins avançou em Marabá desde 1976.

O segundo maior nível observado na série histórica foi em 1978, quando o Rio Tocantins chegou a 14,47 metros acima do normal. Pouco atrás, está o ano seguinte (1979), quando o rio alcançou a marca de 14,45 metros. Em 1990, o Rio Tocantins atingiu a marca de 14,41 metros (quarta maior enchente em Marabá).

Em 1997, o Rio Tocantins volta a preocupar as autoridades, ao atingir a marca de 14,23 metros (quinta maior enchente). O prefeito na época era Geraldo Veloso, que providenciou a construção de abrigos em diferentes pontos da cidade para assistir as famílias afetadas às margens do Tocantins e do seu afluente, o Rio Itacaiunas.

A sexta maior enchente de Marabá ocorreu alguns anos antes, em 1992, quando o nível do Rio Tocantins alcançou a marca de 13,52 metros acima do normal. O prefeito na época era o falecido Nagib Mutran Neto.

Já na gestão de Tião Miranda, em 2004, o Rio Tocantins alcançou a marca de 13,50 metros acima do nível normal. Sétima maior enchente em Marabá.

A oitava maior enchente foi registrada em 1985, quando o Rio Tocantins alcançou a marca de 13,14 metros acima do normal. O prefeito de Marabá na época era Paulo Bosco Rodrigues Jadão.

Enchentes mais recentes nem se comparam com as registradas nas décadas de 70 e 80 no município | Foto: Divulgação

A nona maior enchente foi em 1986, com a régua fluviométrica do Rio Tocantins indicando 12,59 metros acima do normal. O prefeito era Hamilton de Brito Bezerra.

No ano de 2000, que iniciou com rumores de um suposto fim do mundo, o Rio Tocantins continuou no mesmo lugar e alcançou a marca de 12,58 metros acima do nível normal. É a décima maior enchente em Marabá.

O ano que registrou o menor nível do Rio Tocantins, segundo o levantamento da Defesa Civil, foi 1976, o primeiro da série histórica: 8,99 metros, portanto abaixo da atual cota de alerta, que é de 10 metros. Mas outros anos, como 1998, 1999 e 2017, também ficaram com o rio abaixo da cota de alerta.

Foto: Divulgação/Secom PMM

Programação

Para celebrar os 109 anos da cidade, a Secretaria Municipal de Cultura de Marabá programou dois dias de festa, na segunda (4) e terça-feira (5). Shows musicais com artistas locais — como Ruanna Ly, Linda Souza, James Viana, DJ Miguel Ângelo e DJ Kaik — marcam a data.

A partir das 6h deste dia 5 de abril, no bairro Francisco Coelho, no mirante de encontro dos rios Tocantins e Itacaiunas, o aniversário da cidade acontece com a tradicional queima de fogos e café da manhã para a população.

Durante a programação no encontro dos rios, haverá apresentação da Banda de Música da Fundação Casa da Cultura de Marabá, culto ecumênico, homenagem aos mestres e mestras da cultura de Marabá, presença de autoridades locais e comunidade, bem como apresentação musical de Aurélio Santos e Mestre Zequinha.

Na ocasião, segundo a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Marabá, serão distribuídos 2 mil kits de café da manhã com variados bolos, cuscuz e mangulão. Um bolo com 20 metros de comprimento foi confeccionado para abrilhantar a data. O evento oficial será seguido pela  inauguração do Núcleo de Educação Infantil (NEI) Deodoro de Mendonça.

“Festival de Sabores” destaca a gastronomia da cidade

Até o próximo dia 14, o Partage Shopping realiza o primeiro “Festival de Sabores”, com a parceria de restaurantes da Praça de Alimentação, que desenvolveram promoções e pratos especialmente para a ação. A iniciativa foi pensada pelo empreendimento para celebrar o aniversário de 109 anos de emancipação político-administrativa do município.

Gisele Mesquita, gerente de Marketing do shopping, explica que o evento tem o objetivo de valorizar a gastronomia da cidade, além de contribuir com o turismo, apresentando novas versões da culinária típica da região. “As lojas produziram pratos ou disponibilizaram ofertas exclusivas para este período como uma forma de homenagear a cidade e cultura local”, argumentou.

(Portal Debate, com informações de IBGE, Secom PMM, Câmara de Marabá e Ascom Partage Shopping)

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