Milhares de estudantes se aglomeram em filas por benefício do governo

Alunos denunciam o que chamam de descaso por parte do governo estadual. O pagamento faz parte do “Programa Reencontro com a Escola”, lançado na quinta-feira (16)
Longas filas estão rodando quarteirões no Núcleo Cidade Nova | Foto: Portal Debate Carajás

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — Na contramão do que sempre foi defendido pelas autoridades sanitárias durante a pandemia, o governo Helder Barbalho (MDB) forçou milhares de estudantes da rede estadual de ensino a sair de casa neste sábado (18) e se aventurar em longas filas, que rodam quarteirões, para receber um benefício de parcela única em agências do Banpará.

As imagens publicadas nesta matéria retratam a situação de Marabá, exatamente da agência do Núcleo Cidade Nova, que fica na esquina da Avenida Nagib Mutran com a Rua Pedro Marinho, onde os estudantes estão entrando de 15 em 15 para receber o pagamento. Mas a cena é vista hoje em todo o Pará.

O pagamento faz parte do “Programa Reencontro com a Escola”, lançado na quinta-feira (16), que pretende estimular o retorno dos alunos da rede pública estadual às aulas presenciais. O benefício atinge 595 mil alunos no Pará.

De acordo com o calendário do programa, neste sábado os alunos concluintes da 3ª série do ensino médio devem receber o benefício de R$ 500, em parcela única. Os estudantes das demais séries recebem conforme o calendário parcela única de R$ 100.

Apesar de o horário de atendimento previsto na agência do Banpará ser das 8h às 14h, muitos estudantes já garantiam lugar na fila durante a madrugada. E, a manter a tendência, devem continuar por lá bom tempo depois do fim do horário.

Pessoas aguardam no lado de fora do Banpará pelo benefício

Alunos denunciam o que chamam de descaso por parte do governo estadual. O estudante Lucas Cavalcante Barros, de 17 anos, está na 3ª série do ensino médio e reclama das condições para receber o pagamento. “Olha como nós estamos sendo tratados aqui, cara! Isso é falta de respeito e humanidade. Têm outras formas mais inteligentes de fazer esse pagamento”, argumenta ele.

Teve gente que até foi à agência, mas preferiu voltar para casa a ter de se expor para receber o benefício, como a estudante Amanda Pacheco, de 18 anos. “Eu acho isso um descaso. Eu mesmo achei muito arriscado ficar na fila e voltei a tempo. Moro com a minha avó em casa e ainda tomo muitos cuidados para não trazer esse vírus para casa”.

Alguns professores e um diretor de escola foram contatados pelo Portal Debate Carajás e reprovaram a forma de pagamento adotada pelo governo Helder, mas preferiram não gravar com a reportagem e não se identificar temendo algum tipo de incômodo depois.

Enquanto isso, milhares de estudantes de classes menos favorecidas da sociedade seguem nas filas em busca do benefício, que é pago na antessala do ano eleitoral de 2022, a um público com idade para votar, e que por isso deveria ser alvo de fiscalização do Ministério Público. (Portal Debate Carajás)

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