A Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal afastaram o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Marabá e Sul e Sudeste do Pará (Sindecomar), Márcio Alves, por 60 dias, em caráter cautelar, durante uma reunião realizada no último dia 18 de outubro, suspeito da prática de diversos crimes à frente do ente sindical.
O presidente foi acusado de improbidade administrativa, malversação de recursos, falsificação de documentos, desvio de finalidade, abuso de poder e assédio moral. No entanto, Márcio Alves se negou a cumprir a decisão da Diretoria Executiva e Conselho Fiscal e passou a terça-feira (19) dentro do sindicato, acompanhado de pessoas alheias que foram contratadas por ele para trabalhar na sede do Sindecomar.
Segundo a Diretoria Executiva, ao fim do dia, o presidente retirou da sede do sindicato e levou várias caixas de documentos, mas ele esqueceu uma pasta com diversos extratos bancários. No dia seguinte, os diretores iniciaram o trabalho de investigação e se depararam com as provas que serão decisivas para manter o presidente afastado, visto que ele entrou com um pedido de liminar na Justiça do Trabalho para retornar ao cargo.

Movimentações suspeitas
No mês de fevereiro de 2021, antes de assumir a presidência do Sindecomar, a conta corrente de Márcio Alves movimentou a pequena quantia de R$ 2.300,18 entre salário e o recebimento de 1.030,18 de FGTS. Já em março, a movimentação bancária saltou para R$ 38.579,63, incompatível com a renda mensal do presidente afastado. Nesta época, segundo os diretores, Márcio Alves começou a dar os primeiros sinais de que não queria a presença do tesoureiro e secretária geral na sede administrativa do Sindecomar.
De acordo com a Diretoria Executiva, existem diversos pagamentos de boletos, compras em supermercado, despesas com bebidas em bares, compras em restaurantes e custeio de viagens para Belém e Salinas, sem que os diretores tivessem conhecimento do uso indevido do recurso pertencente ao trabalhador. Conforme os sindicalistas, em março, Márcio já estava cercado de funcionários não eleitos na sede do Sindicato.
No mês de abril, a conta pessoal do presidente movimentou R$ 81.383,09. Nesta data, Márcio Alves começou a perder apoio interno porque se negava a bancar qualquer despesa com atividades do Sindecomar, alegando não ter dinheiro devido ao baixo número de filiados, porém a movimentação bancária se mostrava ao contrário. O presidente foi acusado de não investir nenhum recurso na Sede Social localizada no Bairro São Félix I.
Uma transferência de R$ de 27 mil está intrigando a Diretoria Executiva, pois os integrantes não sabem ainda o destino do dinheiro. O recurso pode ter sido usado para pagar o carro comprado, porém o dinheiro pode ter recebido outro destino. Aqui aparece o pagamento de diversas compras pessoais com o valor muito superior ao salário de presidente nas grandes lojas de Marabá. Uma transferência no valor de R$ 20 mil deixou a Executiva desconfiada.
Já em maio de 2021, o movimento bancário pulou para R$ 125.375. Nesta data, o presidente teria ameaçado demitir o advogado do ente sindical devido ao acordo feito com as empresas para a liberação para o Sindecomar dos diretores Luciana Ferreira da Conceição (suplente); Valdirene Gomes de Oliveira (diretora de esporte e lazer); Lenilson Pereira Alves Silva (tesoureiro) e Andresca Lima (secretária-geral). Márcio Alves teria se irritado porque sabia que seria fiscalizado e iria perder o controle sobre todo o dinheiro pertencente ao trabalhador do comércio de Marabá.
Em junho, com a chegada do tesoureiro ao Sindicato, segundo a Diretoria Executiva, Márcio Alves parou de transferir o dinheiro da conta bancária do Sindecomar para sua conta pessoal, mas já tinha aumentado seu salário de R$ 1 mil para R$ 6 mil sem autorização da Executiva. O movimento foi de R$ 8.693. Nesta época. Márcio começou a traçar um plano para devolver os diretores eleitos e retomar o controle do dinheiro do Sindecomar, mas o intento não funcionou e culminou no afastamento dele, segundo a fala da Executiva.
Nesta data, conforme a Executiva, Márcio começou a se desfazer do dinheiro de sua conta pessoal com medo de ser descoberto. O presidente teria passado a fazer diversos Pix no valor de R$ 100. Os pagamentos foram direcionados para compras e pagamento de contas pessoais. Ele realizou vários saques e fez transferências para a conta dos filhos.
De acordo com a Diretoria Executiva, o montante movimentado de fevereiro a junho de 2021, na conta pessoal de Márcio Alves, chegou à quantia de R$ 253.030,72. No entanto, a movimentação da conta corrente do Sindecomar para outras contas poderá ser ainda maior. Somente esta semana, a Executiva terá acesso à conta bancária do Sindicato dos Empregados no Comércio de Marabá para saber a real dimensão do tamanho do rombo.
Para os diretores, Márcio Alves não possui estrutura pessoal nem capacidade administrativa para gerenciar o sindicato. Para quem estava ganhando 6 mil reais, a presença do montante acima na conta pessoal do presidente afastado, caracteriza, no mínimo, crime de malversação do recurso do trabalhador e deverá causar uma boa dor de cabeça para o presidente.
Ataques e isolamento
A Diretoria Executiva afirmou ao Portal Debate Carajás que Márcio Alves, depois de seu afastamento, deu início a uma série de ataques pessoais aos diretores por meio de calúnias, injúrias e difamação, mas diversos boletins de ocorrência já foram registrados contra o presidente e o grupo que o cerca na promoção de fake news. Os sindicalistas afirmaram que Márcio não devolveu o veículo comprado com o dinheiro do Sindecomar, mas que se encontra no nome dele. Mesmo afastado, o presidente estaria fazendo uso do carro para atender a interesses particulares.
Ainda segundo a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal, Márcio Alves, com apenas oito meses de mandato, já havia brigado e afastado do Sindecomar todo o grupo político que o elegeu. Para piorar, levou para o ente sindical várias pessoas que não foram eleitas nas eleições sindicais de 2020 com salários muito altos e contratos que burlam a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Os integrantes da Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal garantem que Márcio Alves terá direito ao contraditório e ampla defesa, porém deverá realizar uma prestação de contas convincente, porque não se pode utilizar o dinheiro do trabalhador para arcar com as despesas de passeio em Salinas, pagar o consumo de bebidas refinadas e bancar almoços regados a picanha, segundo a Diretoria Executiva.
Assédio moral
Diversos vídeos rolam entre os comerciários, mostrando casos de assédio moral e arrombamento de fechaduras para impedir o acesso de membros da direção sindical na Sede do Sindecomar. As gravações mostram xingamentos e uso de palavras de baixo calão contra o tesoureiro Lenilson Silva. A Diretoria Executiva classifica as atitudes do presidente como sendo típicas de um ditador sem preparo algum para o cargo.
Márcio Alves é acusado de fechar as portas do Sindecomar, em horário de expediente, desferir murros em mesas e procurar impor sua autoridade com atitudes agressivas. Todavia há quem diga que é muito difícil, ou quase impossível, a Justiça ou a categoria deixarem Márcio Alves à frente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Marabá.
O outro lado
O Debate Carajás conversou com Márcio Alves, porém o presidente afastado negou qualquer indício de irregularidades com o uso do dinheiro do trabalhador. Ele afirmou que a transferência de R$ 20 mil destinou-se ao pagamento do veículo Hyundai HB 20. Já a transferência de R$ 27 mil teria voltado para a conta do Sindecomar. Márcio afirmou que entregará sua prestação de contas ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) no momento oportuno.
Márcio alega que o gerente da Caixa Econômica Federal fez a orientação para que o presidente transferisse o dinheiro da conta do Sindecomar para sua conta pessoal. Se essa suposta orientação for verdadeira, o gerente da CEF Marabá, cujo nome não será citado na matéria, incorreu em um crime grave contra a classe dos trabalhadores do comércio da cidade. A retirada do Sindecomar da Fetracom, sem autorização de uma assembleia geral, o isolamento do Sindecomar de outros sindicatos da Região do Carajás enfraqueceram Márcio Alves. (Portal Debate Carajás)


