As rusgas de uma amizade antiga entre o Secretário de Educação, Prof. Luiz Vieira, e a vereadora, Eliene Soares (MDB), vieram à tona na terça-feira (1), durante uma Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Parauapebas (CMP), onde teria se desenrolado uma articulação da parlamentar para reprovar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL), propondo a concessão de título de Cidadão Honorário ao poeta e escritor de Parauapebas, no sudeste do Pará.
Para Luiz Vieira, Eliene não só votou contra o ex-amigo como conseguiu o voto contrário de Horácio Martins (PDT), provocou a ausência da Pastora Kelen Adriana (PTB), os dois não conseguiram se reeleger, e estimulou a abstenção de João Assi (PSB), o “João do Feijão”, que não chegou a lançar a candidatura a reeleição em Parauapebas em 2020. Apesar de obter nove votos favoráveis, os 4 contrários articulados pela vereadora foram suficientes para ela dá uma espécie de ‘troco’ no outrora amigo de longas datas.
A Redação do Portal Debate Carajás conversou ontem (2) com Luiz Vieira e Eliene Soares a respeito da celeuma ocorrida na CMP, no intuito de jogar uma luz sobre os últimos acontecimentos de uma amizade que se acabou nos últimos dois anos. O episódio é cheio de mágoas, ressentimentos, mas gira em torno do campo político.
De acordo com o Luiz Vieira, seu perfil austero de gestor como Secretário de educação de Parauapebas vem incomodando algumas pessoas, e, na terça-feira (1), foi a vez da vereadora Eliene Soares voltar suas ‘baterias’ contra ele, numa espécie de vingança pessoal, por ser barrada nos seus objetivos de transformar a Semed em um ‘curral eleitoral’ através de ingerências políticas.
Na Sessão Ordinária, o vereador Francisco do Amaral Pavão (MDB) apresentou um Projeto de Lei que concederia ao secretário Luiz Vieira o título de Cidadão Honorário pelos relevantes serviços prestados à educação não só como Secretário, mas por toda sua trajetória desde 1987, ao chegar a Parauapebas.
Luiz assumiu a pasta em fevereiro de 2019 e, em pouco tempo, conseguiu dar uma nova cara para a educação e, mesmo com a pandemia da Covid-19, criou um programa de aulas não presenciais que foi destaque no Estado do Pará. Segundo o gestor, ele ainda manteve um diálogo aberto e respeitoso com a sociedade, a imprensa e com o Poder legislativo.
Na Câmara Municipal, o Secretário pactuou com os vereadores um novo jeito de condução política da educação sem interferências e com parcerias, visando exclusivamente a melhoria de toda a rede educacional. Essa iniciativa fez com que Vieira conquistasse o respeito e admiração da maioria dos vereadores, inclusive o vereador Pavão, que já fora um desafeto político, durante a Legislatura passada, foi o propositor por iniciativa própria do título de honraria a Luiz Vieira.

Criatura se volta contra o criador
A vereadora Eliene Soares foi inserida na vida política pelo seu mentor Luiz Vieira nas eleições de 2012. Na época, sem expressão política e sem experiência, ela conseguiu a façanha de se eleger logo na primeira disputa, graças à expertise e competência de Luiz Vieira na articulação e organização de campanha dentro do Partido dos Trabalhadores, pois Vieira era um militante antigo do PT.
No entanto, segundo o Secretário, bastaram dois anos para que ele percebesse que a vereadora começara a andar por caminhos tortuosos, desvirtuando todo o projeto e princípios políticos antes pensados e colocados em prática. Diante da situação, ele optou por abandonar o mandato da vereadora, mas manteve uma relação cordial e respeitosa com a parlamentar.
Na visão dele, o ‘caldo azedou’ quando Luiz Vieira assumiu a pasta da educação em fevereiro de 2019 e a vereadora criou a expectativa de controlar a educação e trazê-lo de volta para o seu ninho político. O professor não cedeu às pressões e rechaçou qualquer tentativa de interferência política na pasta.
Em conversa com o Secretário, o gestor afirmou que a parlamentar Eliene queria apenas um ‘fantoche’ para que ela pudesse ‘mandar e desmandar’ na educação, fazendo uso indevido para seus interesses particulares e políticos. “A primeira ação dela foi me apresentar duas listas: uma de quem deveria sair e outra de quem deveria entrar na Semed, e isso, sem nenhum critério técnico”, protesta.
Luiz narrou que tentou dissuadi-la da ideia absurda, mostrando que essa prática seria perniciosa e não contribuía para a mudança que realmente precisaria ser efetivada na Secretaria de Educação de Parauapebas. Como a parlamentar teria insistido e tentado de todas as maneiras atrapalhar a gestão, Vieira decidiu romper de vez qualquer relação de amizade, porém continuou mantendo o respeito pela pessoa pública da vereadora.
Para piorar a situação, ao anunciar publicamente o apoio às candidaturas de Elves Silva (MDB), eleito com expressiva votação, e Suely Guilherme (PT), que ficou na primeira suplência, O Secretário teria despertado a ira de Eliene Soares que ainda nutria a esperança de contar com o apoio dele nas últimas horas.
Para Luiz Vieira, a derrota na votação da honraria, foi articulada pela ex-amiga. Eliene teria conseguido ‘dá o troco’, votando e convencendo o vereador Horácio Martins, derrotado na última eleição a votar contra ele. A Pastora Kelen Adriana se ausentou do Plenário no momento da votação. Com essa manobra política, ela teria conseguido barrar o Projeto de Lei do vereador Pavão, causando revolta e indignação dos seus pares por achar uma falta de civilidade e respeito.

O outro lado
A Redação do Portal Debate Carajás conversou com a vereadora Eliene Soares sobre as acusações explanadas por Luiz Vieira. A parlamentar negou todas. Eliene afirmou que, como vereadora, possui a prerrogativa de votar “sim”, “não” ou se “abster”. “Faz parte da função do vereador analisar a matéria e votar de acordo com as convicções de cada um. Eu decidi votar “não”, porque não tinha motivos para apresentar um voto favorável à concessão da honraria.
Eliene disse que não nutre nenhuma mágoa com Luiz Vieira. “Eu votei contra, mas não justifiquei meu voto, como normalmente fazem os parlamentares, porque não me envolvi em nada. Eu não articulei com ninguém para votar contra o Luiz. Ele tinha desavenças lá com alguns vereadores. Se alguém votou contra ou se absteve, não foi culpa minha”, se defende.
Para finalizar a conversa, a vereadora atribuiu os 2.990 votos obtidos nas eleições de 15/11/2020 a força de Deus, muito trabalho e coração durante a campanha. Ela disse que saiu muito fortalecida do pleito eleitoral. “Todo mundo sabe que o Luiz não me apoiou, portanto não guardo mágoa, mas não sou mais amiga dele como era antes”, encerra.

“Currículo”
Luiz Vieira é autor dos livros o “Escorpião e a Borboleta” e “O Caminho das Estrelas”. O filósofo é membro da ALERPRE (Academia de Letras de Rondon do Pará e Região, blogueiro, empresário, músico e possui dezenas de poemas e crônicas publicados, sempre cantando a vida e a beleza de sua cidade do coração, logo possui currículo ‘de sobra’ para receber o título de Cidadão Honorário de Parauapebas.
Após ouvir Eliene Soares e Luiz Vieira, a Redação do Portal Debate Carajás fez contato com o vereador Joel do Sindicato (PDT), Pavão (MDB), Braz (PDT) e todos foram unânimes em classificar o episódio como lamentável, desrespeitoso e prejudicial à imagem da Câmara Municipal de Parauapebas.
Fonte: Portal Debate Carajás


