Santiago Peña anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em um vídeo publicado nas redes sociais. A decisão ocorreu após deputados da oposição apresentarem pedidos de impeachment contra o presidente, em meio à crise do Ueno Bank.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, cerca de 3 milhões de clientes ficaram sem acesso às contas. De direita, Peña afirmou que a renúncia busca preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
O pedido será analisado pelo Congresso. Caso seja aprovado, Peña assumirá o cargo de senador vitalício, previsto na Constituição paraguaia para ex-presidentes que deixam o mandato sem serem destituídos.
Conheça a trajetória do presidente paraguaio:
Formação e início da vida política
Formado em Economia pela Universidade Católica do Paraguai, Santiago Peña fez mestrado na Universidade Columbia, em Nova York. Também trabalhou no departamento para a África do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.
Entre 2000 e 2009, atuou no Banco Central do Paraguai. Em 2012, integrou a direção da instituição e, dois anos depois, foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente Horacio Cartes. Na ocasião, filiou-se ao Partido Colorado, que domina a política paraguaia desde o século 19.
Filho do economista José María Peña e da argentina Ana María Palacios, Peña é o caçula de três irmãos. É casado com Leticia Ocampos, com quem tem dois filhos: Gonzalo e Costanza, de 16 anos.
Conservador nos costumes
Peña é conservador e de direita, sendo contrário ao aborto, que considera um “atalho”, e rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o uso da linguagem neutra. O presidente também recusou uma doação de 38 milhões de euros, equivalente a cerca de R$ 234 milhões, para um projeto educacional que utilizava linguagem neutra. “Valorizamos quando alguém vem doar dinheiro, mas o dinheiro não pode condicionar nosso estilo de vida e nossas crenças”, declarou.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. O Ministério Público abriu uma investigação criminal sobre a instituição e determinou a detenção de oito dirigentes e ex-dirigentes, entre eles o presidente Juan Manuel Gustale e o empresário Miguel Vázquez.
Hegemonia do Partido Colorado
O Partido Colorado domina a política paraguaia há mais de 70 anos, com uma única interrupção entre 2008 e 2012. Peña venceu as eleições presidenciais contra Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico, que liderou uma coalizão de oposição formada por partidos de diferentes espectros políticos, da direita à esquerda.
O presidente conquistou 42,7% dos votos, contra 27,5% de Alegre. Os colorados também obtiveram maioria no Congresso, com 23 das 45 cadeiras do Senado e 48 das 80 vagas da Câmara dos Deputados. O partido venceu ainda em 14 dos 17 governos estaduais. (Com Estadão)


