Idoso pecuarista suspeito de assassinar a ex de 24 anos é encontrado morto com dinheiro e carta

O corpo do homem foi localizado pelo neto, em uma área de mata fechada
Foto: Ilustração

O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a ex-companheira Priscila Lacerda Custodio, de 24, foi encontrado morto. O corpo estava em Rifaina, no interior de São Paulo, acompanhado de uma carta escrita à mão e uma quantia de dinheiro.

O corpo de Bolelli foi localizado pelo neto, em uma área de mata fechada, próximo à residência do pecuarista. A descoberta ocorreu na última segunda-feira, 2 de novembro. Além dos objetos pessoais, um revólver calibre 38 foi apreendido no local.

O conteúdo da carta e a causa da morte de João Roberto Bolelli não foram divulgados pelas autoridades. A investigação sobre a morte do pecuarista e o feminicídio de Priscila Lacerda segue em andamento.

Investigação e confrontos de versões

Priscila Lacerda foi morta com um tiro no dia 27 de outubro. O crime aconteceu às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334). A vítima havia se encontrado com João Roberto para devolver uma caminhonete, e a polícia aponta que ele fugiu após o disparo.

A advogada da família de Bolelli, Lauriani Baldini França, afirmou à EPTV que o laudo prévio da morte do pecuarista é inconclusivo. Ela também mencionou o desaparecimento de uma quantia de R$ 100 mil em espécie, que ele teria levado a um leilão para buscar a caminhonete, o mesmo veículo que Priscila devolveria. A advogada contestou relatos de testemunhas.

“Ela não frequentava a casa, mas, ao olhar as redes sociais, tem várias fotos de viagens com ele, filmagens dela aqui e na caminhonete”, disse Lauriani. Ela reforçou que o dinheiro não foi gasto com Priscila.

Já o advogado da família de Priscila, Diogo Máximo, teve acesso ao inquérito. Ele informou que o relatório menciona a carta e o dinheiro, mas não detalha seu conteúdo ou valor. Máximo acrescentou que os parentes de Priscila desconheciam o relacionamento dela com o pecuarista, sabendo apenas da relação com Samuel Ramos.

O delegado de plantão, Telismar Júnior, havia informado anteriormente que João Roberto e Priscila mantinham um relacionamento esporádico. Ele indicou que Priscila já havia sido ameaçada por Bolelli. “Por razões de ciúmes e da condição de sexo feminino da vítima, ele acabou matando ela”, declarou o delegado.

O advogado Diogo Máximo alegou que a família do pecuarista tenta desqualificar Priscila. Ele ressaltou que João Bolelli tinha uma ficha criminal extensa, com casos de violência, inquéritos e processos. A quebra de sigilo telefônico de ambos é esperada para “trazer luz ao caso”.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) confirmou que o corpo de João Roberto foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Franca. O caso está registrado como morte suspeita na Delegacia Seccional de Franca.

Relembre o caso de feminicídio

A SSP informou que a vítima e o suspeito mantinham um relacionamento. O crime de feminicídio ocorreu por volta das 21h, no km 463 da Rodovia Cândido Portinari, próximo a uma propriedade rural.

Testemunhas relataram que Priscila, natural de Perdizes (MG), foi ao local acompanhada do irmão e de uma amiga. O objetivo era devolver uma caminhonete a João Roberto. Durante uma discussão, ele teria sacado uma arma e efetuado o disparo contra ela.

Priscila foi prontamente socorrida e encaminhada ao hospital do município, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.

O delegado de plantão também havia revelado que João Roberto já havia sido condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira, evidenciando seu histórico de violência doméstica.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) esclareceu que processos envolvendo violência doméstica e pedidos de medida protetiva tramitam sob segredo de justiça. Policiais militares foram acionados, realizaram diligências e apreenderam o celular da vítima para análise. As testemunhas prestaram depoimento. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio. (Com Oliberal)

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