Uma operação conjunta realizada nesta quarta-feira (21), em Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará, identificou uma estrutura utilizada para a mineração de criptomoedas, incluindo Bitcoin, com indícios de desvio irregular de energia elétrica. A ação contou com equipes da Polícia Civil, Perícia Criminal e da Equatorial Energia, com uma pessoa conduzia para a delegacia, para prestar esclarecimentos.
Durante a fiscalização, foram identificados dois transformadores: um com potência de 1.000 kVA e outro de 750 kVA, totalizando 1.750 kVA. A estrutura ainda contava com equipamentos de mineração e instalações elétricas que serão objeto de apuração pelas autoridades. Um homem encontrado no local, e supostamente identificado como responsável pelo imóvel, foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.

A ocorrência chama a atenção para o consumo elevado de energia elétrica exigido pela mineração de criptomoedas e para os riscos associados à utilização de eletricidade sem a devida autorização e medição regular. De acordo com as equipes técnicas da distribuidora, para sustentar a potência de 1.750 kVA, e manter toda a estrutura funcionando, o imóvel estava consumindo energia suficiente para manter 5.700 residências com um consumo médio de 200 kWh por um mês.
“A atuação das nossas equipes foi fundamental para identificar esse desvio irregular de energia. O volume consumido pelo imóvel passou a prejudicar o fornecimento no município, impactando nossos equipamentos e consequentemente os nossos clientes. Ao perceber essa situação, iniciamos uma inspeção na rede e durante uma varredura do alimentador afetado, identificamos uma derivação de média tensão com características suspeitas, direcionada para o interior de uma propriedade residencial”, explica Frederico Nolasco de Vasconcellos, gerente de Serviços Técnicos da Equatorial.

Com a identificação do imóvel suspeito, a polícia foi informada, deflagrando a operação. O Bitcoin é uma moeda digital que utiliza uma rede descentralizada para registrar e validar transações. Esse processo exige o uso de equipamentos especializados e de alta potência. Para funcionar, eles permanecem ligados durante longos períodos e consomem energia continuamente. Além disso, liberam muito calor, o que demanda sistemas de ventilação ou refrigeração para manter as máquinas em condições adequadas de operação, consumindo ainda mais energia.
Além do prejuízo econômico decorrente da energia utilizada sem a devida medição e cobrança, a prática pode comprometer a segurança da rede elétrica.
“Instalações improvisadas, cabos irregulares e cargas elevadas sem dimensionamento adequado podem provocar sobrecargas, aquecimento de condutores, curtos-circuitos e danos a equipamentos. Dependendo das condições da rede, essas ocorrências também podem afetar a continuidade e a qualidade do fornecimento para outros consumidores”, esclarece o gerente.
A Equatorial Pará reforça que o combate ao furto de energia é fundamental para a segurança da população, a proteção da infraestrutura elétrica e a qualidade do fornecimento. A distribuidora atua em parceria com os órgãos de segurança pública e de perícia para identificar irregularidades e contribuir com as investigações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pela central 0800-091-0196, além do 181 da polícia. (Com Ascom Equatorial)


