Câncer de intestino: saiba mais sobre a doença ligada a Preta Gil e Lua Blanco

Diagnósticos das artistas chamam atenção para os sinais do câncer colorretal; entenda os sintomas e fatores de risco da doença

A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, após um diagnóstico de câncer de intestino, trouxe novamente atenção para uma doença que também foi enfrentada pela cantora Preta Gil, que morreu em 2025, aos 50 anos. Conhecido como câncer colorretal, o tumor atinge o cólon ou o reto e pode evoluir de forma silenciosa, principalmente nas fases iniciais.

No caso de Lua Blanco, o diagnóstico teria ocorrido poucos meses antes da morte, quando a doença já estava em estágio avançado. A artista teria passado por cirurgia e sessões de quimioterapia. Já Preta Gil descobriu o câncer em janeiro de 2023, aos 48 anos, e revelou posteriormente que a doença havia retornado com metástases em diferentes partes do corpo.

O câncer colorretal pode se desenvolver a partir de pólipos, pequenas lesões que surgem na parede interna do intestino. Embora nem todos se transformem em tumores malignos, alguns podem evoluir ao longo dos anos. Por isso, exames preventivos e a investigação de sintomas persistentes são importantes para identificar alterações precocemente.

A doença pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo histórico familiar, idade, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação com grande quantidade de carnes processadas.

Adotar hábitos saudáveis ajuda a reduzir riscos, mas não elimina completamente a possibilidade de desenvolver o câncer.

Quais são os sintomas do câncer de intestino?

Um dos principais sinais de alerta é a presença de sangue nas fezes, que pode aparecer de forma visível ou ser detectada apenas por exames. Outros sintomas incluem mudanças persistentes no funcionamento intestinal, dor abdominal, anemia, fraqueza e perda de peso sem motivo aparente.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Sangue nas fezes: pode aparecer vermelho vivo ou deixar as fezes muito escuras. O sangramento também pode ter outras causas, mas precisa ser investigado.
  • Mudanças no hábito intestinal: episódios persistentes de diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois.
  • Alterações no formato das fezes: fezes mais finas ou achatadas podem ocorrer em algumas situações e precisam ser avaliadas quando a mudança persiste.
  • Sensação de evacuação incompleta: impressão de que o intestino não foi esvaziado completamente.
  • Dor ou cólica abdominal: desconforto frequente ou persistente.
  • Perda de peso inexplicada: emagrecimento sem mudanças intencionais na alimentação ou na rotina.
  • Cansaço e fraqueza: podem estar associados à anemia causada por perdas de sangue.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esses sintomas nem sempre indicam câncer. Mesmo assim, é importante procurar avaliação médica quando persistem ou surgem sem uma causa conhecida.

Como identificar sinais nas fezes?

As alterações nas fezes podem ajudar a perceber que algo não está bem no funcionamento do intestino. A presença de sangue, por exemplo, pode indicar sangramento no trato digestivo. Quando o sangue é vermelho vivo, pode ter origem na parte final do intestino ou no reto. Já fezes muito escuras ou negras podem estar relacionadas a sangramentos em outras regiões do sistema digestivo.

O formato também merece atenção. Fezes persistentemente mais finas, semelhantes a uma fita, podem ocorrer quando há alterações que estreitam a passagem intestinal. Muco em excesso, assim como mudanças prolongadas na frequência das evacuações, também deve ser avaliado.

Essas características, isoladamente, não confirmam um diagnóstico de câncer colorretal. Hemorroidas, infecções e outras doenças digestivas também podem provocar alterações semelhantes. A avaliação médica é necessária para identificar a causa e indicar os exames adequados.

O que causa o câncer colorretal?

Não existe uma única causa para o câncer de intestino. A doença se desenvolve a partir de alterações nas células do cólon ou do reto, que podem se multiplicar de maneira descontrolada. Em parte dos casos, o processo começa com pólipos que sofrem mudanças ao longo do tempo.

Alguns fatores estão associados ao aumento do risco:

  • Histórico familiar: ter parentes próximos que tiveram câncer colorretal pode elevar o risco, especialmente quando o diagnóstico ocorreu em idade jovem.
  • Idade: a probabilidade aumenta com o envelhecimento, embora pessoas mais jovens também possam desenvolver a doença.
  • Alimentação: o consumo frequente de carnes processadas e o excesso de carne vermelha estão associados a maior risco.
  • Sedentarismo e excesso de peso: a falta de atividade física e a obesidade são fatores relacionados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
  • Tabagismo e álcool: o uso de tabaco e o consumo de bebidas alcoólicas também estão associados ao aumento do risco.
  • Doenças intestinais: algumas condições inflamatórias crônicas, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, podem exigir acompanhamento específico.

Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa desenvolverá a doença. Da mesma forma, a ausência deles não garante proteção.

Quais alimentos ajudam a prevenir o câncer de intestino?

A alimentação é um dos aspectos que podem contribuir para a redução do risco. Uma dieta variada, com alimentos ricos em fibras, frutas, verduras, legumes e cereais integrais, favorece o funcionamento intestinal e integra as recomendações de prevenção.

Entre os alimentos que podem fazer parte da rotina estão:

  • Feijão e outras leguminosas: lentilha, ervilha e grão-de-bico.
  • Cereais integrais: aveia, arroz integral e pães integrais.
  • Frutas: maçã, pera, mamão, laranja e outras opções variadas.
  • Verduras e legumes: brócolis, couve, cenoura, repolho e folhas verdes.

Também é recomendado limitar o consumo de carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon, presunto e salame, além de moderar a ingestão de carne vermelha. Manter uma boa hidratação, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool são outras medidas importantes.

Nenhum alimento, sozinho, impede o aparecimento do câncer. A prevenção depende de um conjunto de hábitos e do acompanhamento de saúde adequado.

Quando fazer exames para detectar a doença?

A detecção precoce pode aumentar as possibilidades de tratamento bem-sucedido. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou em 2026 a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como referência para o rastreamento de pessoas sem sintomas, entre 50 e 75 anos, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O exame identifica pequenas quantidades de sangue nas fezes que podem não ser percebidas a olho nu.

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