A preparação para o segundo turno das eleições de 2026 foi marcada por sustos e muita dor de cabeça para eleitores e autoridades de vários estados. Uma falha no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez com que a plataforma oficial passasse a registrar milhares de mudanças em locais de votação que, na prática, continuavam exatamente os mesmos do primeiro turno.
A distorção também incluiu alterações que haviam ocorrido anos antes, entre 2024 e 2026, fazendo parecer que a troca tinha acontecido de uma semana para a outra.
O problema começou a chamar atenção quando os números divulgados pela página do tribunal saltaram absurdamente. No final da semana anterior, o sistema apontava cerca de 4,3 mil seções modificadas, número que ainda aparecia inflado em mais de 2 mil registros no início da tarde de um domingo.
O erro gerou uma onda de ruídos e desinformação, forçando os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) a entrarem em campo com uma força-tarefa de esclarecimento nas redes sociais e sites oficiais para acalmar o eleitorado.
Os exemplos de dados duplicados ou confusos se espalharam pelo país. Em Pernambuco, o portal do TSE indicava a migração de eleitores entre colégios que, na verdade, eram o mesmo prédio com pequenas variações de nome na fachada, enquanto o TRE pernambucano esclarecia que a mudança real afetava apenas meia dúzia de seções em duas cidades.
Situação idêntica ocorreu em Alagoas, onde o sistema nacional apontava alterações em Delmiro Gouveia que o tribunal local prontamente desmentiu. Divergências parecidas foram corrigidas às pressas por órgãos regionais no Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde o número real de locais modificados era drasticamente menor do que o exibido nacionalmente.
Diante da repercussão, a assessoria do TSE informou que o sistema passou por atualizações constantes ao longo do dia para corrigir as distorções, com os números despencando de milhares para menos de uma centena de registros pendentes à noite. O órgão lembrou que a gestão e a decisão sobre qualquer troca de zona eleitoral não acontecem de forma centralizada, ficando a cargo de cada juiz e zona eleitoral local analisar a infraestrutura disponível.
Para evitar qualquer confusão na hora de votar, a recomendação essencial para o cidadão é ignorar dados genéricos e checar o endereço exato com antecedência por meio do aplicativo e-Título ou do portal de autoatendimento eleitoral.


