O Papa Leão XIV nomeou, nesta quinta-feira (15), Dom Paulo Andreolli, S.X., como novo bispo diocesano de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó, no Pará. A decisão, anunciada oficialmente pela Santa Sé, marca uma nova etapa na trajetória do religioso, que desde 2023 atuava como bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém.
O anúncio foi divulgado pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Julio Endi Akamine, SAC, e também pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com a nomeação, Dom Paulo deixa a função de bispo auxiliar da capital paraense para assumir o governo pastoral da Diocese de Ponta de Pedras, tornando-se o quarto bispo diocesano da Igreja particular marajoara.
A nomeação ocorreu na memória litúrgica de Santa Teresa de Jesus, virgem e doutora da Igreja, e representa uma nova missão pastoral para Dom Paulo, cuja caminhada é marcada pela atuação missionária, proximidade com as comunidades e dedicação à evangelização na Amazônia.
Trajetória missionária
Natural de Pojana Maggiore, na província de Vicenza, na Itália, Dom Paulo Andreolli nasceu em 16 de dezembro de 1972. Integrante da Congregação dos Missionários Xaverianos, iniciou sua formação religiosa ainda jovem, professando os votos perpétuos em 5 de março de 2000. No mesmo ano, em 17 de setembro, recebeu a ordenação presbiteral.
Sua missão no Brasil começou em novembro de 2007, no Pará. Inicialmente, atuou como vigário paroquial em São Félix do Xingu e, posteriormente, como pároco em Tucumã. Também desenvolveu atividades voltadas à animação missionária e vocacional, especialmente junto aos jovens, colaborando com organismos eclesiais, comunidades religiosas e iniciativas de formação.
Em 1º de fevereiro de 2023, foi nomeado pelo Papa Francisco como bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém. A ordenação episcopal ocorreu em 15 de abril daquele ano, na Catedral Metropolitana de Belém, em celebração presidida por Dom Alberto Taveira Corrêa, então arcebispo metropolitano.
Como oitavo bispo auxiliar da história da Arquidiocese de Belém, Dom Paulo participou ativamente da vida pastoral da Igreja local, colaborando nas celebrações, atividades missionárias e no acompanhamento das comunidades, pastorais e movimentos eclesiais.
Segundo a Arquidiocese, sua atuação foi marcada pela dedicação às pastorais sociais, à juventude e à formação missionária, além da proximidade com os fiéis e da atenção às realidades humanas e sociais.
Seu lema episcopal, “Corações ardentes, pés a caminho”, inspirado na experiência dos discípulos de Emaús, expressa o espírito missionário que agora acompanhará seu trabalho à frente da Diocese de Ponta de Pedras.
A Diocese de Ponta de Pedras
Localizada no arquipélago do Marajó, a Diocese de Ponta de Pedras integra a Província Eclesiástica de Belém e é uma das dioceses sufragâneas da Arquidiocese Metropolitana.
Sua história está diretamente ligada à Arquidiocese de Belém. A circunscrição eclesiástica foi criada em 25 de junho de 1963 como Prelazia Territorial de Ponta de Pedras pelo Papa Paulo VI, por meio da bula Animorum Societas, com território desmembrado da Arquidiocese de Belém. A criação contou com a atuação de Dom Alberto Gaudêncio Ramos, então arcebispo metropolitano.
Em outubro de 1979, a prelazia foi elevada à condição de diocese pelo Papa João Paulo II, por meio da bula Cum Praelatura.
Atualmente, a diocese abrange os municípios de Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari, Santa Cruz do Arari, Muaná, Curralinho e São Sebastião da Boa Vista. Sua sede episcopal está localizada em Ponta de Pedras e sua padroeira é Nossa Senhora da Conceição.
A realidade pastoral da região é marcada pelas características do Marajó, onde rios, grandes distâncias e comunidades distribuídas entre áreas urbanas, rurais e ribeirinhas impõem desafios próprios à evangelização, à formação cristã e ao acompanhamento das famílias.
Ao longo de sua história, a Diocese de Ponta de Pedras desenvolveu ações voltadas à evangelização, formação de lideranças, promoção humana e assistência às comunidades, com a participação de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos.
Dom Paulo sucede a Dom Teodoro Mendes Tavares, transferido em 2026 para a Diocese de Santiago, em Cabo Verde. Sua chegada também fortalece os vínculos históricos, pastorais e fraternos entre as Igrejas de Belém e Ponta de Pedras.
Como funciona a nomeação de um bispo
De acordo com a Igreja Católica, a nomeação de bispos é uma competência do Romano Pontífice, conforme estabelece o Código de Direito Canônico.
O processo envolve o discernimento sobre as necessidades pastorais das dioceses e a avaliação de sacerdotes e bispos considerados aptos para exercer a missão episcopal. Habitualmente, a escolha é precedida por consultas reservadas realizadas no âmbito da Santa Sé, com a colaboração da representação pontifícia no país e dos organismos competentes, levando em consideração a trajetória eclesial, a experiência pastoral e as necessidades da diocese que receberá o novo pastor.
No caso de Dom Paulo Andreolli, trata-se de uma transferência episcopal. Como já recebeu a ordenação episcopal, ele não precisará passar por uma nova ordenação. A mudança representa apenas a passagem da função de bispo auxiliar de Belém para a responsabilidade de bispo diocesano de Ponta de Pedras.
Enquanto o bispo auxiliar colabora com o bispo diocesano no cuidado pastoral da Igreja particular, o bispo diocesano assume diretamente a missão de governar, ensinar e santificar o povo de Deus confiado à sua diocese, em comunhão com o Papa e com o Colégio dos Bispos.
Conforme as normas da Igreja, Dom Paulo deverá tomar posse da nova diocese por meio dos procedimentos canônicos previstos. A data e os detalhes da celebração de posse ainda serão divulgados em conjunto pela Diocese de Ponta de Pedras.
Mensagem de gratidão
A Arquidiocese de Belém, por meio do arcebispo metropolitano Dom Julio Endi Akamine e do arcebispo emérito Dom Alberto Taveira Corrêa, manifestou alegria pela nomeação e agradeceu pelo trabalho realizado por Dom Paulo durante o período em que exerceu o ministério episcopal na capital paraense.
Em mensagem dirigida ao novo bispo diocesano, os arcebispos destacaram sua generosidade ao aceitar servir como bispo auxiliar, sua dedicação ao clero, às comunidades e aos fiéis, além da contribuição prestada às pastorais sociais, à juventude e à formação missionária.
O texto também ressalta a amizade, a convivência fraterna e o testemunho do Evangelho demonstrados por Dom Paulo ao longo de sua missão em Belém.
Ao acolher a decisão do Papa Leão XIV, a Arquidiocese afirma que a transferência de um bispo não representa uma ruptura dos vínculos construídos, mas sim uma expressão da comunhão e da universalidade da Igreja, na qual os pastores são chamados a servir onde sua missão se faz necessária.
Por fim, a Arquidiocese de Belém convidou o clero, os diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, agentes de pastoral e todos os fiéis a se unirem em oração por Dom Paulo Andreolli e pelo povo da Diocese de Ponta de Pedras.
Em sua mensagem final, faz uma prece pelo novo bispo: “Que o Espírito Santo lhe conceda sabedoria, discernimento e coragem para conduzir a nova missão. Que Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora da Conceição intercedam por seu ministério, fortalecendo sua caminhada no anúncio do Evangelho, no cuidado com as comunidades e no serviço ao Reino de Deus.”


