Polícia Civil prende seis servidores por esquema de corrupção no Pará

Quantia de R$ 16,3 mil em espécie foi apreendida com um dos investigados

A Polícia Civil do Pará, por meio da Divisão de Repressão à Corrupção e ao Desvio de Recursos Públicos (Decord), vinculada à Diretoria Estadual de Combate à Corrupção (Decor), deflagrou nesta quarta-feira (14) a operação “Fariseus”. A ofensiva cumpriu seis mandados de prisão temporária, seis de busca e apreensão domiciliar, seis de busca pessoal e 16 ordens de afastamento cautelar do exercício da função pública contra servidores públicos municipais investigados pelos crimes de corrupção passiva e associação criminosa.

Os mandados judiciais foram executados nos municípios de Belém e Ananindeua. Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 16,3 mil em dinheiro vivo sem comprovação de origem lícita na residência de um dos investigados, além de telefones celulares, computadores e documentos. Os seis detidos foram levados à delegacia para a realização dos procedimentos formais e permanecem à disposição da Justiça.

As apurações que culminaram na ação tiveram início a partir de desdobramentos da operação “Telecorrupção”, realizada em 2023. À época, foram identificados indícios de corrupção passiva praticada por um servidor que atuava na Central Municipal de Licenciamento de Empresas de Belém — setor que agrega servidores das secretarias municipais de Finanças (Sefin), Urbanismo (Seurb), Meio Ambiente (Semma) e Saúde (Sesma).

De acordo com o titular da Decor, delegado Fausto Bulcão, o servidor exigia vantagens indevidas de proprietários de estabelecimentos comerciais para evitar a autuação administrativa de negócios sem licenciamento regular. A partir de autorização judicial para compartilhamento de provas, a perícia no aparelho celular do investigado revelou mensagens sobre andamento de processos, liberações administrativas e repasses financeiros ilícitos. A quebra de sigilo bancário confirmou que os valores recebidos de empresários, contadores e pessoas jurídicas eram posteriormente partilhados entre outros servidores públicos envolvidos no esquema.

Com o aprofundamento das diligências, a polícia identificou outros cinco servidores que mantinham tratativas diretas e recorrentes com o alvo principal. As negociações envolviam pagamentos, transferências de valores, agilização de licenças e direcionamento de atos de fiscalização, evidenciando uma prática coordenada e continuada.

O delegado Fausto Bulcão ressaltou que as fraudes afetaram um número indeterminado de pessoas e estabelecimentos na Região Metropolitana. Os investigadores agora se concentram na análise do material recolhido durante as buscas para individualizar as responsabilidades penais e identificar outros possíveis participantes ou intermediários do esquema. (Com Roma News)

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