O debate sobre as mudanças climáticas e seus impactos nos territórios amazônicos ganhou mais um espaço de diálogo no Pará. No dia 1º de outubro, quinta-feira, o município de Cametá recebeu a Conferência sobre Mudanças Climáticas (CONCLIMA), iniciativa que nasceu em Marabá e vem ampliando sua atuação para outros municípios paraenses. A realização na cidade foi uma iniciativa local, a partir dos próprios moradores que integram órgãos locais, como o Instituto Federal do Pará (Campus Cametá), por parte do professor Valfredo, que também integrou o processo de pesquisas de campo do Projeto de Políticas Públicas de Mitigação e Adaptação Climática em Cametá. Na ocasião, também foram realizadas devolutivas deste campo do PPMAC na cidade, aproximando os conhecimentos produzidos pelo projeto das comunidades e instituições locais.
A CONCLIMA surgiu em Marabá, uma parceria entre o Observatório PPMAC e a Escola do Legislativo Municipal, com a proposta de trazer a agenda climática para a realidade, estimulando o diálogo entre poder público, universidades, pesquisadores e sociedade civil. A primeira edição, realizada em 2025, teve como tema “A agenda climática sob a perspectiva local” e abriu espaço para discutir os desafios e as possibilidades de enfrentamento das mudanças climáticas a partir das particularidades do território.
Em 2026, a iniciativa teve continuidade com a realização da segunda conferência em Marabá, reforçando a importância da articulação entre diferentes setores da sociedade na construção de estratégias de mitigação e adaptação climática. Com o tema “Pensar Globalmente, Agir Localmente”, o encontro destacou a necessidade de transformar discussões globais em ações que considerem as características ambientais, sociais e econômicas de cada município.
A realização da CONCLIMA em Cametá representa um novo passo nessa trajetória, ampliando o alcance da iniciativa e favorecendo a circulação de experiências, conhecimentos e discussões sobre a agenda climática em diferentes regiões do estado. A proposta reconhece que, embora as mudanças climáticas sejam um desafio global, seus efeitos e as formas de enfrentamento estão diretamente relacionados às características e necessidades de cada território.
A conferência também se insere no processo de devolutivas do PPMAC, que busca compartilhar os conhecimentos e resultados produzidos pelo projeto com os territórios envolvidos. Esse movimento é importante para aproximar a pesquisa científica das demandas locais, promover a troca de experiências e contribuir para que as informações produzidas possam subsidiar debates, decisões e políticas públicas voltadas à mitigação e à adaptação às mudanças do clima.
Ao conectar a experiência de Marabá à realização em Cametá, a CONCLIMA reforça a importância de construir uma agenda climática descentralizada, participativa e conectada às realidades amazônicas. A iniciativa evidencia o potencial de articulação entre instituições de ensino e pesquisa, gestores públicos e sociedade civil para fortalecer o debate sobre os desafios climáticos e ampliar as possibilidades de atuação nos municípios.
Assim, a trajetória da CONCLIMA aponta para a construção de espaços permanentes de diálogo, nos quais o conhecimento científico, as experiências locais e a participação social possam contribuir para respostas aos desafios impostos pelas mudanças climáticas na Amazônia. (Divulgação)


