Lula promete conclusão da BR-163 e reforça recuo sobre dragagem no Tapajós

Lula encerrou o comício pedindo a eleição de deputados e senadores “altamente comprometidos” com o governo

Em discurso de campanha no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (28), ter autorizado a conclusão do trecho final da BR-163 e reiterou a decisão de não autorizar a dragagem do rio Tapajós. O petista também declarou que a eleição estadual está “fato decidida” e vinculou seu próprio sucesso nas urnas ao apoio à governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição.

Sobre a rodovia, Lula lembrou que a obra da BR-163 começou em seu primeiro mandato e afirmou ter autorizado a conclusão do trecho pendente, que faltam cerca de 30 quilômetros para chegar a Santarém. “Pois até o final do ano, eu e você vamos inaugurar o fim da estrada BR-163”, declarou.

Em seguida, tratou da dragagem. “No rio mais bonito que esse país tem, que é o rio Tapajós”, disse o presidente, ao explicar que a discussão sobre a intervenção para o transporte de commodities chegou à sua mesa e que a governadora participou da reunião. Lula confirmou o recuo em relação à dragagem do leito do rio, medida defendida por setores do agronegócio para garantir a navegabilidade em período de estiagem, mas contestada por povos indígenas e organizações ambientais.

O presidente reforçou o pedido de unidade política no estado e citou um episódio de divisão no Rio Grande do Norte na eleição passada, envolvendo o MDB, como exemplo do que deve ser evitado. Cobrou responsabilidade dos dirigentes partidários na escolha dos nomes com real chance de eleição e dirigiu-se ao presidente da Assembleia Legislativa, Chicão (União Brasil), defendendo sua candidatura ao Senado ao lado de Helder Barbalho.

“O Chicão tem o apoio do companheiro Helder, você tem o meu apoio. Mas a gente não está brincando. Isso aqui não é brincadeira.”

Lula encerrou o trecho pedindo a eleição de deputados e senadores “altamente comprometidos” com o governo, para avançar em reformas como o fim do orçamento secreto, a reforma política e mudanças no Poder Judiciário.

Por fim, o presidente vinculou explicitamente sua candidatura à de Hana Ghassan. “Quem achar que o Lula deve ser o presidente da República precisa achar que a Hana tem que ser governadora do Estado do Pará. Pelo amor de Deus, vamos voltar a casar. Porque se a gente brinca, a gente pode ter um espírito de porco que vai nos virar o jogo.” Lula a elogiou como “profissional de carreira” e “o que tem de melhor para governar o Estado do Pará e dar continuidade” ao projeto iniciado sob Helder Barbalho.

A fala ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026, na qual Hana Ghassan disputa a reeleição ao governo do Pará com o apoio de Helder Barbalho (MDB) e de Chicão ao Senado. A chapa integra o arco de alianças do presidente no estado. A decisão sobre a dragagem do Tapajós, tomada após reunião com lideranças indígenas em julho, continua a gerar críticas de setores produtivos, que alertam para impactos no escoamento de grãos pelo Arco Norte. (Com Roma News)

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