A transição repentina do sedentarismo para exercícios de alta intensidade expõe o organismo a sérios riscos à saúde, incluindo picos de pressão arterial, infarto e lesões articulares graves. A busca por resultados rápidos sem o devido preparo ignora que o corpo humano necessita de adaptações fisiológicas graduais nos sistemas cardiovascular e musculoesquelético.
Segundo especialistas e diretrizes de cardiologia e medicina do esporte, submeter uma estrutura destreinada a cargas extremas pode transformar o benefício da atividade física em um ameaçador teste de resistência.
Quando uma pessoa parada há muito tempo tenta acompanhar um treino de alto rendimento, a demanda por oxigênio e energia salta de forma abrupta.
“O coração de uma pessoa sedentária não está acostumado com aquele nível de esforço. Quando ela parte de repente para uma atividade muito intensa, o coração precisa acelerar muito, a pressão sobe e o organismo passa a exigir uma quantidade de oxigênio muito maior”, explica Vagner Vinicius, cardiologista do Hospital Mantevida.
O principal perigo dessa sobrecarga é a manifestação de problemas ocultos. Caso haja uma condição cardíaca preexistente não diagnosticada, a intensidade excessiva pode funcionar como um gatilho.
“Essa mudança brusca pode desencadear uma arritmia, um infarto e, em situações mais graves, até uma parada cardíaca. Felizmente, esses eventos são pouco frequentes. Por isso, o importante é conhecer os próprios limites e aumentar a intensidade aos poucos”, alerta o cardiologista.
Sistema musculoesquelético também pode ser sobrecarregado
A limitação não é apenas cardíaca, o sistema musculoesquelético sofre de maneira direta. O organismo opera sob o princípio da economia de energia e só mantém tecidos muscular e tendíneo fortes se for estimulado continuamente. Se o corpo não recebe carga regular, ele enfraquece essas estruturas para poupar calorias.
“A exigência de uma atividade física em um esporte de alto rendimento é altíssima. As intensidades trabalhadas expõem nosso corpo e estrutura musculoesquelética a cargas de trabalho muito fortes”, afirma Daniel Santos, professor de Educação Física e líder técnico do departamento Fitness da Academia D’stak.
Santos explica que, sem essas adaptações, a pessoa fica fora da zona de segurança e pode enfrentar graves riscos à saúde, a ponto de sofrer complicações sérias como estresse cardíaco, picos de pressão, arritmias e até um infarto agudo.
Entre os problemas ortopédicos recorrentes em quem pula etapas estão mialgias, tendinites, estiramentos e até rupturas de ligamentos e fraturas por estresse. Conforme pontua o profissional de Educação Física, músculos e tendões atuam como protetores das articulações e do esqueleto. Quando estão fracos, o impacto recai diretamente sobre a estrutura óssea e articular.
Além das lesões estruturais, a falta de descanso proporcional pode levar à síndrome do excesso de treinamento (overtraining). A condição surge do desequilíbrio entre carga e tempo de recuperação, provocando fadiga crônica, dores persistentes, queda na imunidade e aumento da frequência cardíaca em repouso.
“A carga de treino é muito importante, mas é no período de recuperação que o corpo inicia os trabalhos de reparo dos tecidos danificados, tornando-os mais fortes”, ressalta o professor.
Para sair do zero e atingir a capacidade de treinar em alta intensidade com segurança, o processo leva em média de 6 a 8 meses. Essa construção exige cerca de 3 a 4 semanas para a adaptação neuromuscular, 12 semanas para criar uma base de condicionamento e mais 8 a 12 semanas focadas em força e potência.
Diante disso, a avaliação médica e a orientação profissional são os primeiros passos fundamentais. Sintomas como dor no peito, tontura ou falta de ar intensa exigem a interrupção imediata do treino.
“Exercício faz muito bem para o coração. O segredo é respeitar o tempo do organismo, quem está saindo do sedentarismo precisa começar devagar, ganhar condicionamento e só depois aumentar a intensidade”, resume Vagner. (As informações são do Portal Metrópoles)


