Parada do Orgulho LGBTI+ reúne multidão e celebra diversidade em Belém

Com música, performances e bandeiras, participantes ocuparam as ruas de Belém durante a programação deste domingo (27)

As ruas do centro de Belém foram tomadas por uma multidão neste domingo (27), durante a 24ª Parada do Orgulho LGBTI+ do Pará. A programação reuniu música, apresentações culturais e manifestações pela diversidade e pelos direitos da população LGBTI+. Os participantes se concentraram na avenida Visconde de Souza Franco, no bairro do Umarizal, e seguiram até a praça Waldemar Henrique, na avenida Marechal Hermes, onde ocorreram apresentações culturais e musicais.

Desde as primeiras horas da tarde, por volta das 14h, os participantes começaram a ocupar a Avenida Visconde de Souza Franco, onde houve concentração antes do início do percurso. A programação contou com trios elétricos, apresentações musicais e manifestações de grupos e movimentos ligados à população LGBTI+.

Em um ato marcado pela celebração da liberdade de ser quem se é, a Parada do Orgulho também levou às ruas mensagens de respeito, inclusão e defesa dos direitos da população LGBTI+. Participantes carregaram bandeiras e cartazes durante o percurso pelas ruas do Umarizal. O evento reuniu pessoas de diferentes idades. A programação contou com apresentações musicais, DJs, performances de drag queens e outras atrações. Segundo a organização, a expectativa de público era de 400 mil pessoas.

Mobilização

 

Para o membro da coordenação da Parada LGBTI+, Jenverson Garcia, a edição deste ano tem um significado especial pela mobilização construída para reunir participantes de diferentes municípios e pelas novidades preparadas para a programação. Segundo ele, a organização buscou resgatar elementos de outras edições e, ao mesmo tempo, apresentar atrações e momentos inéditos para o público.

“Esse ano, a gente pensou muito em fazer uma Parada nostálgica. A gente já começou com todas as atrações e, inclusive, a nossa abertura foi feita pela drag queen Sara de Montserrat. A Sara fazia anos que não vinha a Belém, então fizemos questão de tê-la neste ano na abertura. O palco também tem muitas surpresas este ano. Então, a gente pensou muito nessa Parada, que foi feita com muito carinho”, observa.

Além de movimentos da capital, a programação reuniu caravanas de Tailândia, Santa Isabel e Santa Bárbara. “Reunimos toda essa galera para tentar estar aqui hoje. Para a gente, é uma importância muito grande por tudo aquilo que a gente foi brigar para conseguir. Esse momento é único, porque tudo o que as pessoas, tudo o que a nossa comunidade vai ver hoje, ela não viu em 24 anos”, afirma.

Ocupar espaços

 

Estudante de Ciência, Teodoro Nascimento participou da programação e destacou a importância de a comunidade LGBTI+ ter um espaço de celebração e expressão cultural em Belém. Ele contou que também participou da Parada no ano passado e ressaltou a importância de poder vivenciar novamente o evento, pontuando a necessidade de ocupar espaços.

“É extremamente importante para a gente, enquanto população LGBT e minoria que somos, ocupar a Doca, que é um espaço elitizado e onde, na maioria das vezes, vemos pessoas brancas e dentro de um padrão circulando por aqui. Ter esse mar de gente colorida é muito importante e muito lindo para a gente”, relata Teodoro, que é não-binário e bissexual.

Combate à LGBTfobia

 

Presente na mobilização, o presidente do movimento Família Hope, Victor de Almeida, destacou a importância de a população LGBTI+ continuar reivindicando direitos, além de defender a família como base para o cuidado, a educação e o combate à violência. “Historicamente, as pessoas trans, principalmente mulheres trans e travestis, sempre estiveram com seus corpos à frente, enfrentando toda a violência para que pudéssemos chegar até onde estamos agora”, declara.

“A gente merece estar nos espaços e os nossos direitos existem. A partir do momento em que as pessoas nos desrespeitam, reforçamos a importância de ocupar esses espaços, de estar caminhando e mostrando que nós existimos. Porque isso não é novidade, e o que a gente sente não é mimimi. Não adianta minimizar o que a gente sente, porque não é normal perseguir, violentar e abusar uma pessoa que não faz nada para você”, acrescenta Victor, que é trans e está à frente do movimento que acolhe a população LGBT.

A drag queen Sophia Britney também reforçou a importância da mobilização no enfrentamento à LGBTfobia. “Todo ano eu faço parte da Parada. Este ano é a 24ª Parada organizada pelo Grupo Homossexual do Pará, o GHP, do qual eu faço parte. Cada vez mais avançamos no combate à LGBTfobia. O Brasil é o país que mais mata LGBTI no mundo, e a gente vem combatendo muito com as delegacias”, pontua. (Gabriel Pires/O Liberal)

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!