Nesta sexta-feira (25), o calendário eleitoral entra na contagem regressiva para o primeiro turno das Eleições 2026, que será realizado em 4 de outubro, daqui a 10 dias. No Pará, 6.265.355 eleitores estão aptos a votar nas disputas para presidente da República, governador, duas vagas ao Senado, deputado federal e deputado estadual. A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todo o país.
No Pará, seis candidatos concorrem ao governo, enquanto 12 disputam as duas vagas ao Senado. Também há 251 candidatos a deputado federal e 396 candidatos a deputado estadual, segundo dados do sistema Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Do eleitorado paraense, 1.047.264 estão em Belém e 4.405.215 estão no interior do estado, considerando os municípios que ficam fora da Região Metropolitana de Belém. Os dados fazem parte das estatísticas eleitorais do TSE para o pleito deste ano.
Urnas
A Justiça Eleitoral utilizará 563.910 urnas eletrônicas em todo o Brasil para atender os mais de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar neste ano. No Pará, 23.259 equipamentos já foram distribuídos para as zonas eleitorais. Desse total, 18.533 foram enviados para o interior e 4.726 para a Região Metropolitana de Belém. O TRE do Pará informou, ainda no início de setembro, ainda que possui 2.327 urnas de contingência para eventuais substituições.
Nesta semana, o TRE-PA também iniciou a preparação das urnas eletrônicas. Na RMB, o procedimento começou no último domingo (20) e segue até o próximo domingo (27). No interior, a preparação teve início na terça-feira (22) e tem previsão de conclusão até terça (29), ainda de acordo com informações já detalhadas pelo tribunal.
Como será a votação
No primeiro turno, o eleitor paraense votará para cinco cargos, mas fará seis votos na urna: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. A ordem de votação segue a sequência definida pela Justiça Eleitoral. No caso do Senado, haverá dois votos diferentes. O eleitor deverá escolher dois candidatos distintos.
Lei Seca
A Lei Seca nas eleições é a proibição temporária da venda e do consumo de bebidas alcoólicas em locais públicos durante o dia de votação. No Brasil, não existe uma regra federal única que determine a adoção da medida em todo o território nacional.
A definição cabe a cada Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do respectivo estado, que pode estabelecer a restrição para o período eleitoral. Quando aplicada, a proibição costuma entrar em vigor à meia-noite do dia da eleição ou na véspera e permanecer até o encerramento da votação.
Panorama atual
O cientista político André Buna avalia que o cenário das eleições deste ano pode ser analisado a partir de dois aspectos principais: a disputa entre os candidatos e grupos políticos que participam da corrida eleitoral para os diferentes cargos e as características institucionais do pleito. Segundo ele, a dimensão competitiva envolve os nomes que estão na disputa pela Presidência da República, pelo governo dos estados, pelo Senado e pelos cargos de deputado federal e estadual.
Paralelamente, há um cenário institucional marcado pelas mudanças nas regras e pela configuração da eleição. O cientista político resume o cenário eleitoral apresenta características próprias e se diferencia dos contextos observados nas eleições gerais de 2018 e 2022. “Nas eleições de 2022, a gente teve a renovação de um terço do Senado. Agora, a gente tem a renovação de dois terços do Senado. A renovação tende a ser um pouco maior”, pontua.
“A gente tem que fazer uma comparação com a eleição de 2018, quando tivemos uma renovação absurda. Naquele momento, tivemos uma renovação que passou dos 70% do Senado, por ter uma eleição com um cenário de competição — que foi esse primeiro cenário que eu te relatei, muito diferente do que a gente tinha nas eleições anteriores. A eleição de 2022 não é uma eleição que se assemelha à de 2018”, observa.
O cientista político também destaca as modificações institucionais relacionadas ao uso das mídias sociais e do ambiente digital nas eleições. Segundo ele, o pleito deste ano é marcado por uma maior regulamentação dessas ferramentas, especialmente no que diz respeito ao uso de inteligência artificial e de recursos como os deepfakes.
“Há uma exigência muito maior por parte do TSE de transparência sobre todo o material de campanha. Há proibição de deepfakes e da utilização, mesmo com a aprovação do candidato, de chatbots, de vídeos feitos por inteligência artificial ou não só de vídeos, mas também de conversas sintéticas. Isso tudo está expressamente proibido neste momento”, frisa o especialista.
Transparência
André também destaca a importância da atuação do TSE e do TRE, em âmbito local, para a confiabilidade e a lisura do processo eleitoral. Segundo ele, é fundamental manter um alto grau de confiança nessas instituições, cuja credibilidade contribui para a segurança dos métodos e ferramentas utilizados na votação, além dos mecanismos de fiscalização, investigação e validação do pleito.
“A gente tem, de fato, uma transparência em que a população, os competidores, a sociedade civil, organizada ou não, e os partidos, que também organizam junto com esses colegiados a competição política no Brasil, são sempre convidados a participar de todas as etapas. São sempre realizadas audiências públicas abertas, há controle imediato e sessões de integridade, não só física, mas também digital, de todo o processo”, comenta.
Voto consciente
Para a reta final antes do primeiro turno, Buna considera este um momento para o eleitor refletir sobre o voto. Ele destaca a importância de conhecer os candidatos, entender as propostas apresentadas e considerar medidas que possam atender às necessidades coletivas. “É ideal que o eleitor possa, nessa preparação, consultar sobre os candidatos e entender as propostas. Também é importante se perceber, olhar para si e enxergar quem ele é dentro da sociedade, a que grupo e comunidade pertence”, ressalta.
“Ele deve votar, obviamente, a partir de um sentimento de solidariedade. O eleitor deve entender que não está descolado de um conjunto de pessoas, de uma sociedade, que não vive só. Os interesses individuais devem ser minorados, não suprimidos em sua totalidade, mas minorados”, acrescenta o cientista político.
Confira as principais datas das eleições 2026
4 de outubro — 1º turno: votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília
9 a 23 de outubro — propaganda eleitoral gratuita: em caso de segundo turno, haverá nova veiculação de propaganda eleitoral no rádio e na televisão
25 de outubro — eventual 2º turno: caso seja necessário, haverá nova votação para presidente e governador, nas disputas em que nenhum candidato alcançar a maioria exigida no primeiro turno (Com O Liberal)


