O engenheiro mecânico José Alfredo de Albuquerque e Silva assumiu interinamente, na segunda-feira (21), a presidência da Companhia Docas do Pará (CDP). A nomeação ocorre menos de uma semana após a deflagração da Operação Sonar, da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos, cobrança de vantagens indevidas, direcionamento de contratações e lavagem de capitais na estatal.
A informação sobre a mudança no comando da CDP foi confirmada pelo Grupo Liberal por meio de fontes ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores em Serviços Portuários nos Terminais do Estado do Pará (Sindiporto). Até esta quinta-feira (24), no entanto, não havia sido divulgado comunicado oficial sobre a nomeação.
O Grupo Liberal procurou a CDP na quarta-feira (23) e novamente nesta quinta-feira (24) para confirmar oficialmente a nomeação e obter informações sobre a reunião do Conselho de Administração, mas não recebeu retorno.
A expectativa inicial era de que a nomeação fosse publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (23). Segundo as informações apuradas, alguns documentos já estariam prontos para serem assinados pelo novo presidente interino.
Na foto, José Alfredo de Albuquerque aparece no centro, em quarto lugar à direita. (Foto: Reprodução | WhatsApp)Perfil do novo presidente
José Alfredo de Albuquerque e Silva é gaúcho e servidor público de carreira. Ele atuava em Brasília (DF) como Analista de Infraestruturaantes de assumir interinamente a presidência da CDP.
O engenheiro é formado pela Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Também possui pós-graduação em Gestão Empresarial e Finanças pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Logística Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
José Alfredo já teve passagem pela própria Companhia Docas do Pará. Em 2020, foi nomeado diretor de Gestão Portuária da empresa, cargo que ocupou por um período curto.
Na época, em fevereiro de 2021, ele se envolveu em uma situação que gerou repercussão entre funcionários da companhia e na sociedade paraense. Como diretor, determinou a retirada de cães que viviam em uma área localizada atrás do Terminal Petroquímico de Miramar, em Belém, sob os cuidados do técnico portuário Reginaldo Kzan.
A decisão provocou reação de empregados da CDP e de pessoas que acompanhavam o caso. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA)também acompanhou a situação.
O então presidente da CDP, engenheiro civil Eduardo Henrique Pinto Bezerra, reuniu-se com Kzan para tratar do assunto e autorizou a permanência dos animais no local. Pouco depois, José Alfredo deixou a Diretoria de Gestão Portuária.
Experiência no setor portuário
A trajetória de José Alfredo inclui passagens por outras estruturas da administração portuária federal. Em 2019, chegou a ser nomeado para presidir a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), mas posteriormente foi destinado à CDP, em Belém.
Antes disso, atuou na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), onde exerceu o cargo de diretor de Relações com o Mercado e Comunidade e acumulou a função de diretor-presidente interino.
Também ocupou funções na Secretaria de Portos da Presidência da República, incluindo os cargos de diretor-substituto, coordenador-geral de Desempenho Portuário e assistente de coordenação.
Entre as atribuições na Secretaria de Portos esteve o acompanhamento e desenvolvimento de projetos voltados à modernização da gestão portuária nos portos públicos administrados pelas Companhias Docas.
Mudança ocorre após Operação Sonar
A troca no comando interino da CDP ocorre poucos dias depois da Operação Sonar, deflagrada pela Polícia Federal em 15 de setembro, com apoio da CGU.
A operação investiga a atuação de uma suposta organização criminosa que, segundo as autoridades, seria responsável por práticas como desvio de recursos públicos,exigência de vantagens indevidas de fornecedores, direcionamento de contratações e lavagem de capitais na Companhia Docas do Pará.
A CDP é uma empresa pública federal sediada em Belém e vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos.
O atual presidente da companhia, Jardel Rodrigues da Silva, e a gerente de gabinete da presidência, Renata Valle de Lima, estão entre os principais citados na investigação da Operação Sonar.
A apuração da PF e da CGU busca esclarecer a eventual participação de agentes públicos e de outros envolvidos no suposto esquema investigado.
Até o momento, a investigação está em andamento, e a condição de investigado ou citado em uma apuração não significa, por si só, que tenha havido condenação ou comprovação definitiva das acusações. (Com O Liberal)


