DA REDAÇÃO — Ameaças e agressões contra jornalistas levaram o portal Tapajós de Fato a suspender a cobertura das eleições de 2026. Com sede em Santarém, no oeste do Pará, o veículo tomou a decisão após episódios de violência contra integrantes da equipe, entre eles um ataque a faca e a entrega da cabeça de um gato a um colaborador.
Os casos foram relatados em reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira (22/9). Segundo o jornal, as intimidações começaram em 2022 e já haviam levado o portal a desistir de acompanhar as eleições municipais de 2024.
O esfaqueamento de um dos jornalistas ocorreu a poucos metros da redação. Conforme a publicação, o atentado não foi esclarecido. Os episódios de violência física e psicológica comprometeram as condições de segurança para o trabalho da equipe.
Especializado na cobertura da Amazônia, o Tapajós de Fato também atua na divulgação de denúncias de violações ambientais no sul e sudeste paraense. A interrupção do acompanhamento eleitoral restringe a atuação de um veículo regional em um período de interesse público sobre candidatos e propostas.
À Folha, a presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Ana Carolina Moreno, afirmou que a desistência de jornalistas de cobrir assuntos relevantes por medo de morrer representa uma derrota para a democracia. Ela também relacionou esse cenário à atenção insuficiente dada às ameaças e aos ataques contra profissionais da imprensa.
A reportagem apresentou ainda casos de pressões judiciais contra veículos de Alagoas, envolvendo retirada de conteúdo da internet, aplicação de multa e determinação de recolhimento de exemplares impressos.
A Abraji e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticaram as pressões sobre a imprensa regional. Para as entidades, as restrições ao exercício do jornalismo prejudicam a liberdade de imprensa e a democracia. (Portal Debate)


