A influência da inteligência artificial nas eleições é uma realidade esperada por boa parte dos brasileiros: 58,1% acreditam que a tecnologia terá impacto nas decisões de voto, segundo a pesquisa Prompt-me, realizada pela agência de comunicação Fbiz em parceria com a plataforma On The Go. Os dados foram divulgados pela revista Veja nesta sexta-feira (18/9).
O levantamento revela uma relação de confiança e preocupação com essas ferramentas. Enquanto parte dos entrevistados utiliza a IA para conferir informações, muitos temem que a mesma tecnologia facilite a circulação de conteúdos falsos durante a disputa eleitoral.
Entre os principais receios, 55,1% citam a disseminação de fake news e 52,9% apontam a produção de deepfakes, conteúdos manipulados que podem simular imagens e vozes de pessoas. Outros 50,9% demonstram preocupação com a dificuldade de diferenciar materiais reais daqueles produzidos por inteligência artificial, enquanto 49,7% enxergam risco de manipulação da opinião pública.
Ao avaliar os possíveis efeitos sobre o eleitorado, 29,7% acreditam que a IA ampliará a circulação de notícias falsas e dificultará a escolha dos candidatos. Já 18,7% esperam que a tecnologia ajude a população a tomar decisões mais informadas. Para 34,8%, os impactos positivos e negativos serão equilibrados.
Apesar das preocupações, as ferramentas de inteligência artificial alcançaram 70,4% de confiança no levantamento, acima de jornais e sites de notícias, com 59,2%; YouTube, com 55,2%; televisão, com 48,8%; e redes sociais, com 28,4%.
Relatos reunidos na pesquisa indicam que alguns participantes já recorrem à IA para verificar declarações de candidatos e conferir mensagens recebidas pelo celular antes de compartilhá-las. No entanto, apenas 26,3% acreditam que a tecnologia será utilizada para combater a desinformação.
A pesquisa ouviu 1.258 pessoas de todas as regiões do Brasil, de diferentes gêneros, classes sociais e faixas etárias, a partir dos 16 anos. A margem de erro aproximada é de 2,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Segundo a Veja, a versão completa do estudo tem lançamento previsto para o fim de setembro e também abordará o uso da inteligência artificial no trabalho, nos estudos e nas decisões de consumo.


