Pará registra 550 denúncias no aplicativo Pardal com liderança da Região Metropolitana de Belém

Maior parte das queixas envolve obstrução de ruas e uso irregular de veículos sonoros durante as campanhas

O estado do Pará acumulou 550 registros de infrações políticasnas Eleições 2026 até o início da noite desta quarta-feira (16). Os dados são do sistema oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostram que as ocorrências se espalham por 62 municípios paraenses. Belém concentra o maior volume, com 256 queixas, seguida por Ananindeua (40), Castanhal (27) e Tucuruí (24). A ocupação indevida de vias públicas lidera as motivações, com 139 registros, acompanhada pelo incômodo com carros de som e trios elétricos, que somam 128 casos.

Os candidatos a deputado estadual e federal são os principais alvos da população, acumulando 181 e 154 ocorrências, respectivamente. A lista segue com os postulantes ao governo do estado (86) e ao Senado (53). Grande parte dos envios é feita por meio de celulares com sistema iOS (289) e Android (257).

As mensagens enviadas pela população passam por triagem imediata. Casos de propaganda ilegal em ruas ou em tamanhos fora da legislação são avaliados por uma comissão específica do tribunal regional, que possui poder de polícia. “O juiz pode, de imediato, determinar a retirada daquela propaganda, caso ele verifique que é ilegal”, explica Bruno Valente, procurador da República no Pará.

Além da remoção do material, a infração costuma gerar processos e aplicação de multas. A denúncia de fatos mais graves, como o abuso de poder que envolve risco de cassação de mandato e inelegibilidade, segue para apuração da Procuradoria Regional Eleitoral.

Desafio

A facilidade proporcionada pela tecnologia garante amplo acesso ao cidadão, mas cria um obstáculo para as investigações. Do total de demandas feitas no Pará, 251 já foram baixadas do sistema sem avanço, enquanto 204 acabaram peticionadas na Justiça por possuírem base legal. Há ainda 95 casos em andamento. “Tem muita denúncia com poucas informações, porque é muito fácil de enviar, e nem sempre há condições de virar um processo”, alerta Bruno Valente.

Para que a denúncia seja efetiva até o dia do pleito, os órgãos de controle exigem o envio do máximo de detalhes possíveis. A população deve anexar textos, fotos e vídeos que comprovem a queixa diretamente na plataforma.

Serviço

Além do aplicativo governamental, o eleitor tem à disposição um canal focado em denúncias de compra de votos, corrupção eleitoral e clientelismo. A iniciativa do Ministério Público Eleitoral ocorre em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Norte 2.

O Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no Pará recebe o material diretamente pelo WhatsApp no número (91) 3347-9809. A reportagem de O Liberal solicitou o balanço de ocorrências recebidas por este canal, mas a assessoria do órgão não enviou os dados atualizados até o fechamento desta edição.

Como fazer uma denúncia

• Entre no Pardal com uma conta do e-Título ou Gov.br;
• Selecione “Fazer nova denúncia” e classifique a ocorrência;
• Descreva o caso e anexe fotos, vídeos, áudios ou links;
• Os dados do denunciante são mantidos em sigilo, se solicitado;
• Acompanhe a denúncia pelo protocolo gerado no aplicativo ou por e-mail.

Aplicativo Pardal no Pará

(Balanço parcial até as 18h de quarta-feira)

  • Total de queixas: 550 registros espalhados por 62 cidades
  • Andamento: 251 arquivadas (baixadas do sistema), 204 oficializadas na Justiça e 95 em análise
  • Top 3 cidades: Belém lidera com folga (256 denúncias); Ananindeua (40) e Castanhal (27) vêm na sequência
  • Maiores infrações: obstrução de vias públicas (139 queixas) e barulho de carros de som ou trios elétricos (128)
  • Principais alvos: candidatos a deputado estadual (181) e a deputado federal (154) (Com O Liberal)

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