Síndrome de Pica tem cura? Entenda o tratamento indicado para a condição de Juliette

O assunto ganhou repercussão recentemente após a cantora Juliette revelar, durante o programa Saia Justa, do GNT, que possui o “prazer secreto” de comer talco.

A Síndrome de Pica, conhecida também como alotriofagia ou picacismo, é caracterizada pelo consumo persistente de substâncias que não possuem valor nutricional e não são consideradas alimentos, como terra, papel, giz, cabelo e até produtos destinados a outros usos.

O assunto ganhou repercussão recentemente após a cantora Juliette revelar, durante o programa Saia Justa, do GNT, que possui o “prazer secreto” de comer talco.

A declaração chamou a atenção do público e de especialistas, mas é importante alertar que isso não significa que a artista tenha síndrome de pica. Para chegar a esse diagnóstico, é necessário avaliar a frequência, a duração do comportamento e possíveis causas associadas.

O que pode causar a Síndrome de Pica?

Uma das associações mais conhecidas é com a deficiência de ferro. A falta desse mineral pode provocar o desejo de consumir substâncias não alimentares, como gelo, terra ou amido.

A síndrome também pode estar relacionada a outras deficiências nutricionais e a condições de saúde mental ou do neurodesenvolvimento. De acordo com o Drauzio Varella, entre os fatores associados estão deficiências de ferro e zinco, além de condições como autismo, esquizofrenia e deficiência intelectual.

Além disso, apesar de não haver estatísticas sobre a prevalência no mundo, os casos costumam ser mais comuns em mulheres grávidas e crianças.

“Na gestação existe a hipótese de aumento da demanda de nutrientes, entre eles o ferro e o zinco, mas isso não explica todo o fenômeno. Gestantes que têm alguma fragilidade emocional e falta de suporte também têm mais riscos”, explicou o médico Marcelo Heyde, psiquiatra no Hospital São Marcelino Champagnat (PR), ao portal Drauzio Varella.

Em relação aos pequenos, ainda segundo o Dr. Heyde, é natural que até os dois anos de idade eles coloquem todo tipo de material dentro da boca, mas após essa faixa é esperado que já consigam fazer uma distinção clara entre o que é alimento ou não.

Como é feito o diagnóstico da síndrome?

De acordo com o Dr. Heyde, o diagnóstico é principalmente clínico, e um dos critérios utilizados é a ingestão persistente de substâncias não alimentares por pelo menos um mês. O profissional também precisa avaliar se o comportamento é compatível com a idade, se faz parte de alguma prática cultural e se existem outras condições associadas.

Dependendo do que a pessoa ingere, podem ser necessários exames para identificar anemia ou outras deficiências nutricionais e investigar possíveis complicações, como intoxicação ou problemas no aparelho digestivo.

“Assim, dependendo da substância envolvida, alguns exames devem ser solicitados para avaliação de possível complicação. Por exemplo, intoxicação por chumbo ou ingestão de substâncias que ficam alojadas no trato gastrointestinal, como tecidos no estômago, situação chamada de bezoar (acúmulo de material não digerido).” disse.

Síndrome de Pica tem cura?

A síndrome de pica pode ser tratada e, em alguns casos, desaparecer, principalmente quando existe uma causa específica por trás do comportamento. No entanto, não existe um único tratamento que funcione para todos os pacientes.

Segundo o DSM, o tratamento envolve principalmente a correção de deficiências nutricionais e de outras complicações provocadas pela ingestão das substâncias. Técnicas de modificação comportamental também podem ajudar, embora ainda existam poucos dados sobre tratamentos específicos para a síndrome.

O portal Drauzio Varella também destaca que a abordagem pode envolver diferentes profissionais, dependendo da origem do quadro.

A investigação pode incluir correção de deficiências nutricionais, psicoterapia e, quando necessário, tratamento medicamentoso, feito principalmente por prescrição de inibidores da recaptação da serotonina, visto que pode haver outro diagnóstico psiquiátrico associado, como depressão, transtorno obsessivo-compulsivo ou transtorno de ansiedade.

Quando procurar ajuda?

O sinal de alerta aparece principalmente quando a vontade deixa de ser ocasional e passa a ser frequente ou difícil de controlar. A ingestão de materiais incomuns pode provocar intoxicações, lesões, obstruções intestinais e deficiências nutricionais.

Além disso, é importante evitar a automedicação. Se houver suspeita de deficiência de ferro ou de outro nutriente, o ideal é realizar exames e receber orientação profissional antes de iniciar qualquer suplemento. (Com Diário do Pará)

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