Pará tem quase meio milhão de pequenos negócios ativos

Capital paraense tem 65 mil microempreendedores individuais (52%), 46 mil microempresas (37%) e 12 mil empresas de pequeno porte (10%)

Embora o empreendedorismo viva um momento de forte incentivo no Brasil, abrir um negócio motivado apenas por uma oportunidade passageira ou pelo desemprego pode ser o primeiro passo para o fracasso. Os dados são de 2025 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e apontam que cerca de 60% das empresas fecham as portas, no país, antes de completarem cinco anos de atividade.

Diretor superintendente do Sebrae Pará, Rubens Magno afirma que a ausência de uma gestão profissional e a falta de planejamento prévio são os principais fatores do fim prematuro desses negócios. “O fechamento precoce de um pequeno negócio costuma ser resultado da combinação de vários fatores como falta de planejamento, pouca capacitação em gestão, capital de giro insuficiente e dificuldade de acesso a crédito”, diz.

Magno afirma que muitos empreendedores começam sem conhecer bem o mercado, o público que pretendem atender, os custos da operação e a necessidade de recursos para atravessar períodos de baixa demanda. Os estudos do Sebrae, afirma ele, também mostram que os Microempreendedores Individuais (MEI) estão entre os mais vulneráveis ao fechamento, justamente por, em muitos casos, terem menor estrutura, experiência, planejamento, acesso a crédito e inserção em mercados.

Rubens Magno, do Sebrae Pará, reitera que o órgão tem serviços e soluções para quem quer empreender, do início da jornada até a estabilidade do negócioRubens Magno, do Sebrae Pará, reitera que o órgão tem serviços e soluções para quem quer empreender, do início da jornada até a estabilidade do negócio (Carmem Helena / O Liberal)

Empreender pede preparação e acompanhamento, diz superintendente do Sebrae

Rubens Magno afirma que “empreender não deve ser encarado como uma decisão de oportunidade, mas como um processo que exige preparação e acompanhamento. Portanto, apostar em capacitação, planejamento financeiro, conhecimento do mercado e busca por orientação, antes e durante a operação, aumentam as condições para que o negócio atravesse momentos de dificuldade e permaneça ativo por mais tempo. O Sebrae Pará tem serviços e soluções para o empreendedor, desde o início da sua jornada até a estabilidade do negócio”.

Considerando a expertise do Sebrae no Pará, Magno afirma que entre os erros mais comuns no início de um negócio está a falta de conhecimento sobre o mercado e o cliente. “É superestimar as vendas, custos, despesas, e investir demais em estrutura, equipamentos ou estoque antes de confirmar se existe demanda suficiente”.

Zeca diz que para manter o negócio azeitado é preciso se dedicar: “A palavra de ordem é trabalhar, não tem jeito", afirma.Zeca diz que para manter o negócio azeitado é preciso se dedicar: “A palavra de ordem é trabalhar, não tem jeito”, afirma. (Igor Mota / O Liberal)

“Também são recorrentes a definição de preços sem considerar corretamente os custos e a margem necessária, a ausência de capital de giro para os primeiros meses e a mistura entre o dinheiro da empresa e as finanças pessoais. Outro problema é acreditar que um bom produto ou serviço, por si só, será suficiente para atrair clientes, sem uma estratégia de divulgação e vendas”, acrescenta.

Magno chama a atenção para a questão econômica: “Um ponto fundamental é entender que faturamento não é sinônimo de lucro, assim como lucro não significa necessariamente dinheiro disponível em caixa. O empreendedor precisa compreender o ciclo financeiro do negócio desde os primeiros dias e tomar decisões com base em dados, e não apenas na percepção pessoal. O planejamento também não termina com a abertura da empresa”.

“É necessário acompanhar os resultados, ouvir os clientes, avaliar o comportamento do mercado e fazer ajustes no produto, no preço, na comunicação e na operação sempre que necessário. Crescer ou assumir novas dívidas antes de o negócio estar preparado também pode aumentar os riscos. A capacidade de acompanhar o próprio desempenho e corrigir a rota ao longo do tempo é tão importante quanto o planejamento inicial”, diz ele.

Flexibilidade e correção de rota são vitais para o negócio, diz empreendedor

Dono de uma tapiocaria badalada no nº 903, da avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira, José Cardoso, mais conhecido como Zeca, lembra uma dor de cabeça que enfrentou no início do empreendimento. “Foi por falta de conhecimento mesmo”, disse ele, referindo-se ao tempo em que passou comprando produtos (matéria-prima) de terceiros e isso encareceu o preço final do produto dele, o que não foi bom para a atração dos clientes.

Zeca lembra que após esse período procurou alternativas melhores, tudo com o foco na melhoria das finanças. “Fui conhecer as fontes de onde eu poderia comprar direto para eu ter um preço mais acessível e dar um preço melhor para os meus clientes. Eu faria outra coisa também: preparar o pessoal, os funcionários, com cursos de relação interpessoal de atendimento”, recordou o empreendedor.

Dez anos se passaram, Zeca procurou novos conhecimentos e agora comemora os bons resultados de sua tapiocaria. “Eu sei que o meu empreendimento deu certo porque já são 10 anos de tapiocaria, e eu vejo sempre a minha clientela aumentar. Mas, também eu tenho um compromisso com o meu cliente, eu mergulhei na minha loja e estou sempre querendo acertar. Eu durmo e acordo pensando na tapiocaria, sobre o que posso fazer para deixá-la ainda melhor”.

Ele incrementou 250 sabores de tapioquinha e mantém a loja de domingo a domingo. “Empreender é um desafio grande, tem que haver um preparo, tem que estar consciente do que se vai fazer, porque quando você empreende, você investe e se não der certo, você perde todo o seu dinheiro, então é um risco que você corre, entendeu?”.

Veja os números de empresas ativas no Pará:

Pará tem 496.133 pequenos negócios, assim distribuídos:

São 238.133 (47,99%/ MEI – Microempreendedor Individual)

202.425 (40,80%/ ME – Microempresa)

55.605 (11,21%/ EPP – Empresa de Pequeno Porte)

Belém tem 124.794 pequenos negócios, assim distribuídos:

São 65.137 (52,22%/ MEI)

46.806 (37,52% /ME)

12.794 (10,26% /EPP)

Fonte: Sebrae Pará

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