O período mais seco do ano acende um alerta no Pará. Entre janeiro e julho de 2026, 721 ocorrências de queimadas em áreas de vegetação atingiram a rede elétrica, segundo levantamento da Equatorial Pará. O número representa um aumento de quase 90% em relação ao mesmo período de 2025, quando a empresa registrou 380 ocorrências.
O avanço dos casos preocupa porque o fogo pode alcançar cabos, postes, transformadores e outros equipamentos da rede elétrica. Além dos danos à infraestrutura, as chamas podem provocar interrupções no fornecimento de energia e colocar a população em risco.
De acordo com a Equatorial Pará, cada ocorrência pode afetar um circuito e danificar parte da rede. Como consequência, ruas, quarteirões, bairros, escolas e unidades de saúde podem ficar sem energia por minutos ou até horas.
Jamilly Pantoja, executiva de operações da Equatorial, destaca o impacto dos incêndios sobre o sistema elétrico.
“Cada uma dessas ocorrências representa um circuito afetado, uma rede danificada, que suspende o fornecimento de energia para um quarteirão, um bairro, que pode ficar sem energia por alguns minutos ou por horas. Isso representa uma escola, um posto de saúde sem o fornecimento de energia. Interferir na rede, por qualquer que seja o motivo, impacta diretamente na vida das pessoas”, explica.
Impacto dos incêndios no sistema elétrico
O cenário tende a exigir ainda mais atenção durante a estiagem. Temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e vegetação seca favorecem a propagação das chamas e aumentam a possibilidade de o fogo avançar em direção à rede elétrica.
Além disso, queimadas provocadas para a limpeza de terrenos, áreas rurais e pastagens podem sair rapidamente do controle. A queima de resíduos também representa risco quando ocorre perto da infraestrutura elétrica.
Prevenção e segurança em caso de queimadas
Quando as chamas se aproximam da rede, o calor pode danificar equipamentos e aumentar o risco de choque elétrico. Por isso, a orientação é evitar qualquer tentativa de combater o incêndio próximo a estruturas de energia.
Elton Lucena, executivo de segurança da Equatorial, reforça que a prevenção é a principal medida para reduzir os acidentes durante o período seco.
“Uma queimada iniciada de forma irregular pode sair do controle rapidamente, atingir a vegetação próxima à rede elétrica e provocar interrupções no fornecimento. Em um período de estiagem e com condições climáticas que podem favorecer a propagação do fogo, todo cuidado é necessário. Mais do que os danos aos equipamentos, existe um risco direto à vida das pessoas. Por isso, a orientação é não provocar queimadas, manter distância do fogo e jamais tentar apagar as chamas ou tocar na rede elétrica quando houver equipamentos atingidos”, explica o executivo.
Ao identificar uma queimada próxima à rede elétrica, a população deve manter distância e evitar qualquer contato com postes, cabos e equipamentos atingidos. A ocorrência deve ser comunicada ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193, e à distribuidora, pela central 0800-091-0196.
A recomendação vale mesmo quando o fogo parece estar controlado. Cabos e equipamentos danificados podem continuar oferecendo risco.
Segundo Elton Lucena, um cabo caído no chão pode continuar energizado, mesmo que aparentemente esteja desligado. Por isso, ninguém deve se aproximar ou tentar movimentá-lo.
“Em uma situação de fogo perto da rede de energia, que tenha saído do controle, a orientação é não se aproximar das chamas e evitar o contato com a rede de energia. Mesmo que um cabo pareça estar desligado ou tenha caído no chão, ele pode continuar energizado e oferecer risco de choque elétrico grave ou até fatal. A segurança deve sempre vir em primeiro lugar”, orienta o executivo.
O cuidado também deve continuar depois que as chamas forem apagadas. Postes, cabos e equipamentos atingidos pelo fogo podem apresentar danos estruturais ou permanecer energizados. Por isso, a população não deve tocar, puxar ou tentar retirar componentes da rede elétrica. (Com Diário do Pará)


