Um jovem de 18 anos, que não teve a identidade divulgada, foi preso preventivamente nesta terça-feira (4/8), em Tucuruí, no sudeste do Pará, durante a operação “Lívia”, que apura a prática de extremismo violento. Ele é apontado pelas autoridades como um dos administradores de um grupo suspeito no qual adolescentes vulneráveis eram aliciadas, coagidas e incentivadas à prática de automutilação, violência extrema e outras condutas de grave risco.
A operação que contou com a participação de várias Polícias Civis do Brasil cumpriu no total seis mandados sendo um no Pará, um no Mato Grosso do Sul, um no Rio de Janeiro, dois em Minas Gerais e um no Ceará. Foram cinco adolescentes apreendidos e um adulto preso por homicídio qualificado e organização criminosa.
As autoridades informaram que as apurações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) iniciaram após tomarem conhecimento do ambiente virtual em que o suspeito e os outros adolescentes estariam ligados. Em um dos episódios envolvendo o grupo, uma adolescente de 13 anos, que morava no Mato Grosso do Sul, tirou a própria vida, e tudo foi transmitido ao vivo em uma plataforma de comunidades digitais.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos, que serão submetidos à perícia especializada para preservação e análise das provas digitais, para o completo esclarecimento dos fatos e à responsabilização criminal de todos os envolvidos. O jovem preso em Tucuruí segue à disposição da Justiça.
A operação foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, foi coordenada nacionalmente pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), em conjunto com o Ciberlab da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), com apoio das delegacias de polícias civis dos estados de Mato Grosso do Sul, do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Ceará.
A organização criminosa utilizava diversas plataformas digitais para aliciar, manipular e submeter crianças e adolescentes a graves formas de violência psicológica, desafios extremos, automutilação e, em situações extremas, indução ao suicídio.
O caso foi transmitido ao vivo em uma plataforma de comunidades digitais. As primeiras diligências conduzidas pela DEPCA, em atuação integrada com o Ciberlab, permitiram identificar que a morte da adolescente de Naviraí não se tratava de um fato isolado, mas estava inserida em um contexto de atuação da organização criminosa estruturada, com atuação nacional no ambiente digital.
A partir da análise conjunta das evidências digitais, foi constatado que o grupo criminoso utilizava diversas plataformas digitais para localizar adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional, aproximar-se das vítimas e exercer controle psicológico progressivo.
Durante a investigação, a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul identificou outra vítima em outro Estado brasileiro, cuja identidade permanece preservada, além de elementos que indicam a existência de outras vítimas ainda não identificadas.
ATUAÇÃO – Segundo as investigações, os integrantes da organização mantinham atuação permanente em diferentes plataformas digitais, onde recrutavam crianças e adolescentes, formando grupos fechados destinados à manipulação psicológica das vítimas. Após conquistarem sua confiança, os investigados submetiam as vítimas a um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica.
Entre as práticas identificadas estão desafios de crescente violência, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras exigências impostas pela organização para fortalecer o domínio sobre as vítimas, chegando, em casos extremos, à indução ao suicídio.
NACIONAL – A partir da coordenação nacional exercida pela DEPCA e pelo Ciberlab, foram cumpridas, de forma simultânea, seis medidas de busca e apreensão contra os adolescentes e um mandado de prisão contra um investigado adulto.
Diversos aparelhos celulares, computadores e demais equipamentos eletrônicos foram apreendidos e serão submetidos à perícia especializada. Os equipamentos poderão subsidiar a identificação de novas vítimas, a individualização das condutas criminosas e a responsabilização de outros integrantes da organização.
Para acompanhar diretamente o cumprimento das medidas judiciais, duas equipes da DEPCA foram deslocadas para os estados do Rio de Janeiro e do Ceará, enquanto os demais mandados foram executados pelas polícias civis locais. As investigações prosseguem, e novas medidas poderão ser adotadas a partir da análise do material apreendido.
Saiba como buscar ajuda
Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito por meio do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), que é válido em todo território nacional e é gratuito.
O site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo.
Do mesmo modo, o Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que fazem o acolhimento para quem precisar, sem necessidade de agendamento.
Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento. (As informações são do O Liberal)


