Novas informações revelam como a Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, comunicou a família de Abdoulaye Dieng sobre o acidente que levou à sua morte na última quarta-feira (22). Mensagens obtidas mostram que, às 9h18, a instituição enviou um texto ao pai afirmando apenas que o menino havia “passado mal” e estava sendo levado ao hospital, sem mencionar que ele havia ficado com a cabeça presa entre uma grade e uma parede.
O advogado da família, Erson de Oliveira, questiona a transparência da unidade, afirmando que as mensagens transmitiram a falsa impressão de que o quadro não era grave. Segundo ele, os pais acreditaram que o filho estava apenas recebendo um atendimento médico de rotina. Logo após o primeiro aviso, a creche enviou o nome da unidade de saúde (UBS Mooca) e, minutos depois, enviou mensagens perguntando se os pais já estavam a caminho.
A investigação aponta que Abdoulaye teria ficado sozinho por aproximadamente sete minutos com a cabeça presa antes de ser resgatado por funcionários. A defesa da família sustenta que o bebê estava desassistido porque os servidores da unidade participavam de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora no refeitório da creche. Registros confirmam que a diretora nasceu em 22 de julho, mesma data em que a tragédia ocorreu.
O caso foi registrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e a Polícia Civil investiga a conduta de cinco funcionários, incluindo a diretora, a coordenadora e professores. Imagens das câmeras de segurança e perícias do Instituto de Criminalística (IC) e do IML foram solicitadas para esclarecer a dinâmica do acidente e as responsabilidades de cada profissional.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que abriu um procedimento administrativo e que a organização responsável pela administração da creche pode ser descredenciada caso irregularidades sejam confirmadas. Por enquanto, a sala onde o acidente aconteceu permanece interditada para análises técnicas. (Com Roma News)


