Câncer de orofaringe: homem descobre doença após suspeita de sinusite; 78,2% recebem diagnóstico tardio

Em entrevista concedida ao Metrópoles, Fernando contou que, inicialmente, acreditava estar com uma gripe ou enfrentando alguma sequela da Covid-19.

Um desconforto na garganta que parecia consequência de uma gripe ou até de uma sinusite acabou revelando um câncer de orofaringe. Foi o que aconteceu com Fernando Ihara, administrador de 57 anos, que recebeu o diagnóstico em outubro de 2025 após realizar uma tomografia para investigar a origem dos sintomas.

O caso chama atenção para um problema frequente no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 78,2% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço diagnosticados entre 2000 e 2017 descobriram a doença apenas nos estágios três ou quatro. Para o triênio 2026-2028, a estimativa é de mais de 42 mil novos casos, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

Caso reforça importância do diagnóstico precoce

Em entrevista concedida ao Metrópoles, Fernando contou que, inicialmente, acreditava estar com uma gripe ou enfrentando alguma sequela da Covid-19. Como os sintomas persistiam, a esposa insistiu para que ele realizasse uma tomografia, pensando na possibilidade de sinusite.

“Tive muita sorte. Nunca tive sinusite, mas resolvi fazer o exame. Foi aí que tudo começou”, relatou.

O caso mostra um dos principais desafios no combate ao câncer de cabeça e pescoço: muitas pessoas confundem sintomas comuns com doenças menos graves, o que pode atrasar a procura por atendimento especializado.

Sintomas que não devem ser ignorados

Especialistas alertam que rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam, dor ao engolir e caroços no pescoço por mais de duas semanas merecem avaliação médica. Esses sinais podem indicar câncer na região da cabeça e pescoço, incluindo a orofaringe.

Como esses sintomas também podem ocorrer em infecções ou outras doenças, o diagnóstico nem sempre acontece rapidamente. Por isso, a orientação é procurar um otorrinolaringologista ou oncologista quando os sinais persistirem.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais complexos.

Por que tantos casos ainda são descobertos tardiamente?

Segundo o INCA, 78,2% dos pacientes receberam o diagnóstico nos estágios mais avançados da doença entre 2000 e 2017. Esse cenário dificulta o tratamento e reduz as chances de recuperação.

Entre os fatores que contribuem para esse atraso está justamente a semelhança dos sintomas com problemas considerados comuns, como gripes, sinusites e infecções da garganta, fazendo com que muitas pessoas demorem a buscar atendimento especializado.

Quais exames ajudam no diagnóstico?

O caso de Fernando demonstra como a investigação adequada pode ser decisiva. Mesmo sem histórico de sinusite, a tomografia permitiu identificar o câncer antes que a doença evoluísse ainda mais.

Para investigar tumores de cabeça e pescoço, especialistas utilizam uma combinação de avaliação clínica, endoscopias, exames de imagem e biópsia. A escolha dos exames depende dos sintomas apresentados pelo paciente e da suspeita clínica.

Esses procedimentos permitem identificar a localização do tumor, avaliar sua extensão e orientar o tratamento mais adequado. (Com Roma News)

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