Jovens que ganham até dois salários mínimos são as maiores vítimas de fraudes financeiras no Brasil

Mais de 9 milhões de suspeitas e golpes confirmados foram mapeados no primeiro semestre de 2026

Os jovens brasileiros de até 34 anos que recebem remunerações modestas viraram o alvo perfeito para a criminalidade digital no país. Uma pesquisa inédita realizada pela Quod, empresa de inteligência de dados voltada ao mercado de crédito, revelou que o Brasil registrou a impressionante marca de 9 milhões de indícios e confirmações de fraudes financeiras apenas nos primeiros seis meses de 2026. O número representa um salto de 10,26% na comparação direta com o segundo semestre do ano anterior, quando o indicador ficou em 8,26 milhões de ocorrências.

Apesar de parecer assustadora, essa escalada nos números não significa necessariamente que o crime está ganhando mais espaço, mas sim que os bancos aprenderam a enxergar melhor os golpes. O movimento é um reflexo direto da consolidação da Resolução 501 do Banco Central (BC), norma que forçou as instituições financeiras a compartilharem dados de segurança de forma muito mais agressiva. Toda essa engenharia de detecção foi centralizada no Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa operada pela Quod que agora joga luz sobre as armadilhas que antes passavam totalmente despercebidas e ficavam escondidas na subnotificação.

Os dados do mapeamento desenham com precisão o modus operandi das quadrilhas: o smartphone é a principal arma dos criminosos, servindo de canal para 78% das fraudes, enquanto as contas correntes tradicionais aparecem envolvidas em 94% dos casos. A velocidade do Pix transformou a ferramenta no meio de movimentação financeira predileto das redes ilícitas, estando presente em 85% das transações fraudulentas. Além disso, a chamada engenharia social que são os famosos golpes psicológicos baseados em mentiras e histórias falsas para convencer a própria pessoa a transferir o dinheiro respondeu por 40% de todos os registros do semestre.

O perfil detalhado aponta que 49,06% das vítimas têm entre 18 e 34 anos, seguidas por pessoas de 35 a 49 anos, que somam 29,98% dos registros. A maioria desse público (58%) sobrevive com uma renda mensal de até dois salários mínimos, e os homens lideram as estatísticas com 51% dos casos, contra 48% de mulheres. O levantamento também revelou um dado preocupante sobre a reincidência: das 3,1 milhões de pessoas que caíram em falcatruas no período, cerca de 799 mil acabaram sendo enganadas duas ou mais vezes. Para evitar prejuízos, especialistas recomendam que o cidadão desconfie de mensagens de urgência recebidas no celular, fuja de links desconhecidos e jamais aceite receber ou transferir dinheiro de estranhos, o que pode configurar o crime de envolvimento em “contas laranja”.

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!