Motociclistas devem redobrar os cuidados no verão amazônico; veja dicas para viajar com segurança

Especialista, Detran-PA e PRF orientam sobre proteção contra o calor, revisão da motocicleta, direção defensiva e riscos provocados pelas linhas de pipa durante as férias

Durante o verão amazônico, quem utiliza motocicleta precisa redobrar os cuidados tanto nas viagens quanto nos deslocamentos diários. Além do uso correto dos equipamentos de segurança, especialistas alertam para a importância da proteção contra a exposição prolongada ao sol, da hidratação, da manutenção preventiva da motocicleta e da atenção às linhas de pipa, que se tornam mais frequentes nesta época do ano.

Segundo o diretor-presidente do Instituto de Segurança Viária da Amazônia (ISVA), Rafael Cristo, adotar medidas preventivas é fundamental para reduzir riscos, principalmente durante as férias, quando aumenta o fluxo de veículos nas rodovias. Ele recomendou o uso de roupas com proteção ultravioleta (UV), protetor solar adequado ao tipo de pele e ingestão frequente de líquidos. Apesar das altas temperaturas, lembrou que o verão amazônico também é marcado por chuvas, razão pela qual orienta evitar pilotar durante as precipitações e ter atenção redobrada em trechos alagados.

O calor intenso, acrescentou, também interfere diretamente na condução da motocicleta. Segundo Rafael Cristo, as altas temperaturas provocam inquietação, reduzem a concentração e podem comprometer habilidades essenciais para uma direção segura.

Antes de viajar, o especialista recomendou que os motociclistas observem as normas previstas no Capítulo III do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que trata das Normas Gerais de Circulação e Conduta, entre os artigos 26 e 67. Entre os principais cuidados estão estar em boas condições físicas e psicológicas, realizar manutenção preventiva da motocicleta e planejar o percurso, prevendo paradas para hidratação e alongamento.

Outro alerta é sobre o aumento da prática de empinar pipas durante o verão. Rafael Cristo considera a antena corta-pipa o equipamento mais eficiente para reduzir o risco provocado por linhas com cerol e linha chilena, embora observe que o acessório ainda seja pouco utilizado. Para ele, também são necessárias ações educativas e mais atenção dos motociclistas em áreas onde a prática é comum.

O especialista destacou que o capacete continua sendo indispensável e obrigatório, mas afirmou que, nesta época do ano, a antena corta-pipa deve ser considerada um equipamento primordial de proteção. Antes de viagens mais longas, ele orientou que a motocicleta seja levada a uma oficina especializada para revisão de pneus, freios, alinhamento e balanceamento, serviços que exigem equipamentos específicos e profissionais capacitados.

Para quem vai viajar de moto pela primeira vez, Rafael Cristo recomendou evitar percursos sozinho, preferindo grupos de motociclistas. Também lembrou que pilotar em rodovias exige cuidados diferentes dos adotados em vias urbanas, devido às características da pista, ao fluxo de veículos e às condições adversas do trânsito. O respeito aos limites de velocidade, segundo ele, é essencial para uma viagem segura.

Direção defensiva

O professor de educação física Daniel Araújo, de 26 anos, utiliza motocicleta diariamente. Morador da avenida Augusto Montenegro, ele faz pelo menos duas viagens por dia e afirma que enfrenta uma rotina de riscos. Segundo Daniel, a avenida possui faixas curtas, muitas curvas e registra constantes mudanças de faixa por parte dos motoristas, que frequentemente fecham os motociclistas. Ao mesmo tempo, ele reconhece que também há muita imprudência entre quem pilota motos.

“É uma via que toda vez tem acidente. Todos os dias, basicamente, a gente encontra algum motoqueiro jogado no chão e pede proteção a Deus para que isso não aconteça com a gente”, disse. Para reduzir os riscos, ele utiliza camisa de manga comprida, protetor solar nas mãos – já que não usa luvas – e procura adotar sempre a direção defensiva. Segundo o professor, ao perceber qualquer mudança de faixa por parte de outro veículo, reduz imediatamente a velocidade.

“Eu sei que chegar cinco minutos atrasado no trabalho é melhor do que não chegar”, contou. Daniel disse que já sofreu queda quando começou a pilotar e afirma que a experiência o ensinou a dirigir de forma mais cautelosa: “Já caí. Já teve gente que me fechou, carro que freou na minha frente. A gente vai aprendendo essas técnicas do trânsito, principalmente a direção defensiva.” Outro cuidado está relacionado às pipas. Ele pretende instalar novamente uma antena corta-pipa, depois que a anterior caiu da motocicleta. “Antena corta-pipa eu acho que é o essencial. E também muita atenção”, afirmou.

Além do equipamento, evita trafegar em alta velocidade por vias abertas entre 11h30 e 16h, período em que considera haver maior movimentação de pipas. Ele cita a avenida João Paulo II como um local onde já houve registros de mortes de motociclistas relacionadas às linhas cortantes. “A pressa sempre vai ser inimiga do motoqueiro. Direção defensiva é o básico para você se manter seguro”, disse.

Mototaxista defende mais fiscalização e prudência no trânsito

Há anos trabalhando como mototaxista, Francisco Mariano, de 42 anos, também enfrenta diariamente os desafios do trânsito de Belém. Segundo ele, a proteção começa pelo uso dos equipamentos básicos. “O principal é o capacete, camisa de manga comprida, calça e sapato. Essa é a proteção que eu uso no dia a dia”, disse. Ele afirmou que ainda pretende adquirir uma luva.

Francisco avaliou que o trânsito da capital é difícil para quem trabalha sobre duas rodas. Segundo ele, muitos motoristas não respeitam os motociclistas, mas reconhece que há também imprudência por parte de quem pilota motos. “Tem muitos jovens que pegam uma moto praticamente como se fosse uma arma. Querem fazer ‘grau’, empinar a moto e fazer zigue-zague no meio dos carros”, disse.

Na opinião do mototaxista, é preciso intensificar a fiscalização e tornar mais rigorosa a aplicação da legislação de trânsito: “Tem que ser um pouco mais rígida na nossa lei de trânsito, principalmente aqui na nossa capital, porque tem muito acidente e quem sofre mais somos nós.” Ele lembrou um ditado conhecido entre os motociclistas: “O para-choque de uma moto é o rosto do piloto”.

Durante o verão, Francisco disse que também redobra a atenção por causa das crianças brincando com pipas. Segundo ele, em vias menores é necessário reduzir a velocidade, já que muitas crianças atravessam a rua olhando para o alto, além do risco representado pelas linhas que caem sobre a pista. Por isso, considera indispensável o uso da antena corta-pipa. “É bom a gente sempre ter uma antena que corta pipa, corta linha, afirmou.

Francisco também observou que não apenas crianças, mas também adolescentes e adultos costumam correr atrás das pipas. Embora considere a atividade uma tradição, defende que o poder público disponibilize áreas apropriadas para a prática. “Isso é um esporte para a criança. A autoridade tinha que ter um local apropriado para o pai levar o filho para empinar uma pipa sem risco para a criança e para quem anda de moto. Eu já vi muito amigo meu se acidentar, quase perder a vida por causa de uma linha de papagaio”, disse.

Detran-PA reforça manutenção preventiva e uso de equipamentos

O diretor técnico-operacional do Detran-PA, Bento Gouvêia, orientou que, antes de qualquer viagem, o motociclista verifique se está com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) dentro da validade e se a motocicleta está devidamente licenciada. Também recomenda conferir pneus, freios, iluminação, corrente de transmissão, retrovisores, nível de óleo e demais componentes mecânicos. Segundo ele, uma revisão preventiva reduz significativamente o risco de falhas durante o percurso.

O diretor lembrou que o verão amazônico aumenta o fluxo de veículos em direção às praias e balneários e que o calor intenso favorece a desidratação, o desgaste físico e a redução da atenção do condutor. Entre as orientações do Detran estão fazer pausas durante viagens longas, manter boa hidratação, usar roupas adequadas para proteção contra o sol, nunca pilotar sob efeito de álcool ou medicamentos que comprometam os reflexos, respeitar os limites de velocidade, manter distância segura e realizar ultrapassagens apenas em locais permitidos.

O órgão reforçou que o capacete certificado e corretamente afivelado é obrigatório e recomenda ainda o uso de jaqueta, calça, luvas, botas fechadas e equipamentos refletivos. Segundo o Detran, os erros mais comuns entre motociclistas são excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas, circulação entre veículos em alta velocidade, transporte inadequado de bagagens, falta de manutenção da motocicleta, uso do celular ao pilotar e a combinação entre álcool e direção.

Bento Gouvêia alertou ainda que linhas com cerol e linha chilena representam grave risco de ferimentos e mortes. Por isso, recomendou a instalação da antena corta-pipa e orienta que a população empine pipas apenas em locais seguros, longe das vias públicas e da rede elétrica, lembrando que o uso e a comercialização dessas linhas são proibidos por lei.

PRF orienta planejamento e atenção redobrada

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, durante o mês de julho, o aumento do fluxo de veículos nas rodovias, provocado pelas férias escolares, exige ainda mais atenção dos motociclistas. Segundo a corporação, as principais causas de sinistros são a falta de atenção, ausência ou demora na reação diante de situações de risco, entrada na via sem observar outros veículos e a falta de distância segura.

Para reduzir esses acidentes, a PRF orienta que o motociclista mantenha atenção constante, evite usar celular durante a condução, pratique a direção defensiva, mantenha os faróis acesos durante o dia e respeite a preferência ao acessar as rodovias. Antes de viajar, a corporação recomenda verificar pneus, sistema de iluminação, freios, corrente de transmissão e todos os equipamentos de proteção. O capacete deve estar dentro do prazo de validade, possuir selo do Inmetro, viseira em boas condições e jugular corretamente afivelada. Também são recomendados jaquetas de alta visibilidade, luvas e calçados fechados.

A PRF alertou que excesso de velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e condução sob efeito de álcool aumentam significativamente o risco e a gravidade dos acidentes.

“Se beber, não dirija. Nas rodovias, a tolerância é zero”, reforça a corporação. Para viagens durante o verão amazônico, a PRF recomenda hidratação constante, pausas a cada uma hora e meia ou a cada 100 quilômetros percorridos, além do uso de roupas ventiladas e proteção adequada contra o calor.

Sempre que possível, orienta evitar deslocamentos entre 11h e 14h, quando as temperaturas são mais elevadas. Ao passar por áreas urbanizadas ou trechos em obras, a recomendação é reduzir a velocidade, redobrar a atenção com pedestres, ciclistas e veículos locais e manter uma postura defensiva durante todo o percurso.

10 dicas para o motociclista viajar com segurança

Use os equipamentos de proteção
Capacete certificado e afivelado é obrigatório. Também são recomendados jaqueta, calça, luvas, botas e roupas refletivas.

Proteja-se do calor
Use roupas com proteção UV, aplique protetor solar e mantenha-se hidratado durante todo o percurso.

Faça uma revisão completa
Antes de viajar, verifique pneus, freios, iluminação, corrente, óleo, retrovisores, alinhamento e balanceamento.

Planeje a viagem
Programe o roteiro e faça paradas para descansar, alongar e beber água. A PRF recomenda uma pausa a cada 1h30 de viagem ou 100 quilômetros percorridos.

Pratique direção defensiva
Mantenha distância dos demais veículos, respeite os limites de velocidade e faça ultrapassagens apenas em locais permitidos.

Cuidado com chuva e alagamentos
Mesmo no verão amazônico, as chuvas são frequentes. Evite pilotar durante temporais e não atravesse áreas alagadas.

Redobre a atenção com as pipas
Instale uma antena corta-pipa e diminua a velocidade em bairros e vias onde há crianças e adolescentes empinando pipas.

Nunca pilote sob efeito de álcool
Álcool e direção aumentam o risco de acidentes e são infração gravíssima.

Evite distrações
Não use o celular enquanto pilota e mantenha atenção total ao trânsito.

Se for sua primeira viagem, vá acompanhado
Motociclistas iniciantes devem evitar viajar sozinhos e planejar o percurso com antecedência. (Com Oliberal)

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