A deputada federal Alessandra Haber (Podemos-PA) destinou a maior emenda Pix individual da Câmara dos Deputados em 2026 para o município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O repasse, no valor de R$ 18,8 milhões, será aplicado em obras de pavimentação urbana.
O município foi administrado até abril deste ano por Daniel Santos, conhecido politicamente como Dr. Daniel, marido da parlamentar. O médico deixou o cargo para disputar o Governo do Pará nas eleições deste ano pelo mesmo partido.
Levantamento da pesquisa Genial/Quaest, divulgado no fim de abril, apontou Dr. Daniel em empate técnico com a governadora Hana Ghassan (MDB), sucessora de Helder Barbalho. Antes aliados, os grupos políticos de Dr. Daniel e da família Barbalho vivem atualmente uma disputa pelo comando do estado.
Eleita em 2022 para o primeiro mandato na Câmara dos Deputados, Alessandra Haber foi a candidata mais votada do Pará, com aproximadamente 260 mil votos. Desse total, cerca de 72,5 mil foram registrados em Ananindeua, a segunda maior cidade paraense, com população superior a meio milhão de habitantes.
Neste ano, cada deputado federal pôde indicar R$ 20 milhões em emendas parlamentares de livre destinação, além dos recursos obrigatórios destinados à saúde. Do total disponível, Alessandra direcionou quase todo o montante para Ananindeua, o equivalente a cerca de R$ 39 por habitante.
De acordo com a plataforma Central das Emendas, que acompanha a distribuição de recursos parlamentares, trata-se da maior emenda Pix já apresentada por um deputado federal neste ano. No Congresso Nacional, o valor fica atrás apenas de uma emenda do senador Giordano (PL-SP), que destinou R$ 19,9 milhões para o município de Mairiporã (SP).
Os repasses para Ananindeua também se destacam nos anos anteriores. Em 2024, quando Dr. Daniel disputou a reeleição à prefeitura, Alessandra destinou R$ 17,5 milhões ao município. Em 2025, o valor foi de R$ 13,4 milhões. Já neste ano, o repasse alcançou o recorde de R$ 18,8 milhões. Em comparação, o município de Xinguara recebeu R$ 438 mil, o equivalente a R$ 7,55 por habitante.
“Como os parlamentares podem definir individualmente a alocação dos recursos das emendas sem considerar critérios técnicos, algumas cidades acabam recebendo milhares de vezes mais verba que outras, o que tende a agravar as desigualdades regionais em vez de corrigi-las”, afirmou à coluna Bruno Bondarovsky, engenheiro da computação e idealizador da Central das Emendas.
Deputada defende legalidade da destinação dos recursos
Em nota, Alessandra Haber afirmou que todas as emendas destinadas por seu mandato seguem os trâmites legais. “A deputada esclarece que toda destinação de emendas em seu mandato é feita dentro da lei seguindo todos os protocolos necessários, entre eles, a elaboração de plano de trabalho, definição do objeto a ser executado e acompanhamento do mesmo”, afirma a nota.
O posicionamento da assessoria da parlamentar foi encerrado com críticas ao grupo político da família Barbalho: “Portanto, não há nenhuma irregularidade e as emendas para Ananindeua foram integralmente investidas na transformação que levou a cidade ao 1° lugar do ranking nacional da saúde da família, 1° lugar em alfabetização, 2° Ideb do estado e a subir dez posições no ranking do saneamento entre outras conquistas, mesmo sendo diariamente perseguida e atacada pela oligarquia Barbalho que há 60 anos se acha dona do Pará”. (As informações são da Coluna Tatiana Farah/UOL)


