Uma pesquisa realizada no Brasil identificou uma possível explicação para as diferenças observadas na evolução do câncer de pulmão entre alguns pacientes. O estudo apontou que alterações no gene TP53 estão associadas a uma menor sobrevida em parte dos casos da doença.
A investigação acompanhou 1.131 pacientes atendidos pelo Hospital de Amor, em Barretos (SP), e em Porto Velho (RO), entre 2018 e 2023. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
A descoberta reforça a importância do mapeamento genético dos tumores e amplia a compreensão sobre fatores que podem influenciar a resposta aos tratamentos e o prognóstico dos pacientes.
Mutação genética esteve ligada a pior prognóstico
Ao longo da pesquisa, os cientistas analisaram alterações em 20 genes relacionados ao câncer de pulmão.
Os resultados mostraram que 88% dos pacientes apresentavam mutações consideradas relevantes para a progressão da doença. Entre elas, as alterações no gene TP53 chamaram a atenção por sua associação com uma resposta menos favorável ao tratamento e uma redução da sobrevida.
Conhecido como o “guardião do genoma”, o TP53 desempenha uma função importante no controle do ciclo celular e na prevenção do crescimento desordenado das células. Quando sofre mutações, perde parte dessa capacidade protetora, favorecendo a multiplicação de células tumorais.
O papel do TP53 no câncer de pulmão
Os pesquisadores observaram que alterações no TP53 podem reduzir a eficácia de tratamentos amplamente utilizados, como quimioterapia e radioterapia.
Isso acontece porque a mutação pode tornar as células cancerígenas mais resistentes aos danos provocados por essas terapias, dificultando a eliminação do tumor.
Além disso, pacientes que apresentam essa alteração genética tendem a registrar uma evolução mais rápida da doença, o que impacta diretamente a sobrevida.
Pesquisa analisou mais de mil pacientes
Um dos diferenciais do estudo está na abrangência da amostra. Os pesquisadores acompanharam mais de mil pacientes atendidos em diferentes regiões do país, ampliando a representatividade dos resultados.
A investigação também avaliou simultaneamente 20 genes associados ao câncer de pulmão, permitindo uma visão mais ampla das alterações genéticas envolvidas na doença.
Apesar da relevância do TP53, os autores destacam que a mutação representa apenas uma parte do conjunto de fatores genéticos relacionados ao desenvolvimento e à progressão do câncer pulmonar.
Como a genética influencia o tratamento
A identificação de mutações específicas ajuda os médicos a compreender melhor o comportamento dos tumores e a estimar como cada paciente pode responder às terapias disponíveis. (Com Diário do Pará)


