Uma megaoperação policial cumpre dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (16), com o objetivo de desmantelar uma das maiores facções criminosas da Bahia. A ação, batizada de Operação Gênesis, acontece simultaneamente em várias cidades baianas e em outros dois estados do país, mirando a cúpula, os gerentes financeiros e os matadores do grupo conhecido como Tropa do Cote ou Tropa do CF.
A organização é apontada como a responsável por um rastro de violência que inclui pelo menos 15 homicídios nos últimos dois anos, além de impor o terror em comunidades de Salvador através do tráfico de drogas e do uso de armas de grosso calibre.
O que chama a atenção na investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil da Bahia, é o alcance geográfico do grupo. Mesmo com forte atuação na periferia de Salvador, os chefões da facção montaram uma rede de apoio e esconderijos bem longe do território baiano.
Os policiais saíram às ruas para caçar os alvos em uma verdadeira rota interestadual que engloba os bairros soteropolitanos de Águas Claras, Sussuarana e Nova Sussuarana, além dos municípios de Lauro de Freitas e Retirolândia, avançando também em direção às cidades fluminenses de Nova Iguaçu e Macaé, e aos municípios catarinenses de Camboriú e Itapema.
A investida de hoje é o resultado de dois anos de investigações minuciosas e funciona como um desdobramento da Operação Saigon, realizada em setembro de 2023. Na época, a polícia já havia golpeado a liderança do grupo, no entanto, o crime organizado se moldou rapidamente. As apurações mostraram que o principal chefe da facção continuou ditando as ordens e exercendo influência, enquanto seu homem de confiança assumiu a coordenação operacional das atividades ilícitas nas ruas, contando com uma rede de operadores e foragidos espalhados pelo país para garantir o fluxo do dinheiro e das drogas.
Para consolidar esse domínio territorial e peitar as forças de segurança e facções rivais, o grupo apostava no armamento pesado. O objetivo era criar um sistema paralelo de controle social e financeiro dentro das comunidades, intimidando moradores e dificultando as patrulhas policiais para proteger os lucros obtidos com o tráfico. Essa reestruturação interna foi monitorada de perto pela inteligência da polícia, que uniu novas provas a elementos compartilhados pela Justiça para fundamentar os pedidos de prisão da nova fase.
Para sufocar essa estrutura robusta, a Polícia Civil baiana montou um exército com mais de 300 agentes de diversas divisões especiais, incluindo o DRACO, a CORE e o DENARC. A operação conta ainda com o suporte crucial da Secretaria da Segurança Pública da Bahia e das polícias civis do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Todos os materiais apreendidos e os suspeitos capturados serão contabilizados ao longo do dia, à medida que os departamentos policiais consolidem os resultados dessa que já é considerada uma das maiores investidas contra o crime organizado no estado nos últimos anos.


