A psicanalista Regina Navarro Lins defende que muitas ideias tradicionalmente associadas ao amor romântico são construções sociais e podem gerar sofrimento nas relações. Segundo ela, a crença de que uma pessoa deve suprir todas as necessidades afetivas da outra e de que quem ama não pode se interessar por mais ninguém foi fortalecida ao longo do século XX, especialmente pela influência da cultura popular.
Ela argumenta que a sociedade impõe uma forte pressão para que as pessoas estejam em relacionamentos amorosos, tratando a vida sem um parceiro como algo incompleto. Para a psicanalista, essa visão reforça expectativas que nem sempre correspondem à realidade.
Regina também afirma que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e que o interesse pela não monogamia tem crescido. Na avaliação dela, muitas pessoas questionam os modelos tradicionais de relacionamento e buscam alternativas que considerem mais compatíveis com seus desejos e necessidades.
Outro ponto abordado é a crítica a relações baseadas em controle, ciúme e possessividade. Ela defende que relacionamentos saudáveis devem ser construídos sobre respeito à individualidade, autonomia e ausência de tentativas de controlar a vida do parceiro.
Por fim, a psicanalista destaca a importância da autonomia emocional, especialmente para as mulheres, e afirma que independência financeira nem sempre significa independência afetiva. Como reflexão para o Dia dos Namorados, ela sugere relações pautadas pelo respeito mútuo, liberdade individual e confiança. (Com informações da Revista Veja)


