Pará registra saída de 244 mil famílias do Bolsa Família por aumento de renda

Somente em maio deste ano, 9,9 mil famílias paraenses deixaram o programa por terem superado a condição de pobreza. O movimento de superar a condição foi maior em Belém, que liderou os desligamentos, com 1.071 famílias

O Pará registrou uma das maiores transformações sociais dos últimos anos com a saída de mais de 244 mil famílias do Programa Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026. O resultado reflete o aumento da renda familiar, impulsionado tanto pela geração de empregos formais quanto pelo crescimento do empreendedorismo em diversas regiões do estado.

Somente em maio deste ano, 9,9 mil famílias paraenses deixaram o programa por terem superado a condição de pobreza. O movimento de superar a condição foi maior em Belém, que liderou os desligamentos, com 1.071 famílias. O movimento também seguiu por cidades do interior do Pará, como Ananindeua (454), Santarém (408), Abaetetuba (280) e Marabá (267). Também aparecem entre os municípios com mais saídas do benefício Moju (225), Castanhal (220), Marituba (219), Breves (202) e Itaituba (197).

Os números reforçam uma mudança importante no perfil econômico de milhares de famílias que passaram a depender menos da assistência social e mais da própria geração de renda. Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o novo desenho do programa busca justamente estimular a autonomia financeira das famílias.

“O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, destacou o ministro.

Empreendedorismo cresce

Um dos fatores que mais contribuem para a saída do programa é o crescimento do microempreendedorismo. Em todo o país, os Microempreendedores Individuais (MEIs) seguem liderando a abertura de novos negócios, representando quase 80% das empresas formalizadas nos últimos anos.

No Pará, a expansão dos pequenos negócios ganhou força especialmente a partir de 2019 e acelerou nos últimos anos com a digitalização dos serviços, a ampliação do acesso ao crédito e o fortalecimento de programas de capacitação voltados à população de baixa renda.

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Dados da Junta Comercial do Estado do Pará (Jucepa) mostram que os segmentos que mais atraem novos microempreendedores no estado são os de vestuário, estética e beleza, promoção de vendas, alimentação, lanchonetes, bares, restaurantes e serviços domésticos.

São atividades que exigem investimento inicial menor e permitem geração rápida de renda, principalmente para trabalhadores que antes atuavam na informalidade.

Os setores que mais concentram novos MEIs no Brasil também seguem essa tendência. Serviços de beleza, cabeleireiros, manicures, comércio de roupas e acessórios, entregas, alimentação e pequenos serviços pessoais aparecem entre as atividades mais procuradas por quem decide abrir o próprio negócio.

Explosão de novos MEIs

O avanço do empreendedorismo no Brasil ajuda a explicar a redução da dependência de programas sociais. O país vem registrando sucessivos recordes na abertura de pequenos negócios. Em 2020 foram cerca de 1,9 milhão de novas formalizações como MEI. Em 2021, quase 2 milhões. Em 2022, mais 1,5 milhão de registros.

A expansão continuou nos anos seguintes. Em 2025, o Brasil registrou 3,8 milhões de novos MEIs, maior marca da série histórica, alcançando mais de 13 milhões de microempreendedores ativos. No Pará, o crescimento também foi impulsionado pela preparação para a COP30, pelas obras de infraestrutura e pelo aquecimento dos setores de comércio e serviços.

Emprego formal também impulsiona saídas

Além do empreendedorismo, o mercado de trabalho formal tem sido decisivo para a saída de famílias do Bolsa Família. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzados com o Cadastro Único, mostram que 80% das vagas com carteira assinada criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico. O resultado demonstra que beneficiários de programas sociais estão entre os principais protagonistas da recuperação do emprego no país.

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“Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, destacou Wellington Dias.

Transição sem perda imediata da renda

A saída do Bolsa Família ocorre dentro da chamada Regra de Proteção, criada para evitar que famílias que melhoram de vida percam imediatamente o benefício. Pela regra, mesmo após ultrapassar o limite de renda de R$ 218 por pessoa, as famílias podem continuar recebendo 50% do valor do benefício por até 12 meses, desde que a renda per capita permaneça abaixo de R$ 706.

A medida tem sido apontada por especialistas como um dos fatores que ajudam trabalhadores a aceitar empregos formais ou iniciar pequenos negócios sem o receio de perder instantaneamente a rede de proteção social.

O resultado já aparece nos indicadores econômicos. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV Social) mostrou que a renda do trabalho da população mais pobre cresceu 10,7% em 2025, desempenho acima da média nacional, impulsionado pela geração de empregos formais e pelo novo modelo de transição do programa.

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