Morre aos 76 anos Carlos Mendes, o repórter que investigou fenômeno dos “chupa-chupa” no Pará

Carlos Mendes, jornalista investigativo e referência na cobertura de fenômenos ufológicos na Amazônia, faleceu em Belém aos 76 anos. Sua obra sobre a Operação Prato é um marco na imprensa paraense

O jornalismo do Pará perdeu neste domingo (31), uma de suas figuras mais emblemáticas. Morreu em Belém, aos 76 anos, o jornalista Carlos Mendes, profissional que construiu uma trajetória marcada pela investigação rigorosa, pela defesa da reportagem de campo e pela cobertura de alguns dos episódios mais intrigantes da história amazônica. Referência em diferentes gerações da imprensa paraense, Mendes ganhou reconhecimento nacional por sua atuação em veículos como O Estado do Pará, Folha do Norte, O Liberal, Diário do Pará e como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo na Amazônia.

Ao longo de mais de cinco décadas de profissão, Carlos Mendes acompanhou acontecimentos políticos, sociais e econômicos que ajudaram a moldar a história contemporânea do Estado. Entretanto, foi sua dedicação à investigação dos fenômenos conhecidos como “chupa-chupa”, registrados no Pará entre 1977 e 1978, que o tornou uma das principais referências nacionais quando o assunto envolve a chamada Operação Prato, missão conduzida pela Força Aérea Brasileira para investigar relatos de luzes misteriosas observadas em municípios paraenses como Colares, Vigia, Santo Antônio do Tauá, Mosqueiro e regiões da Baía do Marajó.

Carlos Mendes se dedicou à investigação dos fenômenos conhecidos como “chupa-chupa”, registrados no Pará entre 1977 e 1978, que o tornou uma das principais referências nacionais quando o assunto envolve a chamada Operação Prato.

Naquele período, moradores relataram episódios envolvendo objetos luminosos que cruzavam os céus da Amazônia durante a noite. Diversas testemunhas afirmavam ter sido atingidas por feixes de luz que provocavam queimaduras, marcas na pele, sensação de fraqueza e crises nervosas. O medo espalhou-se por comunidades inteiras, levando autoridades civis e militares a acompanhar o fenômeno. A repercussão foi tão intensa que a Aeronáutica mobilizou equipes especializadas para documentar ocorrências, entrevistar moradores e produzir relatórios que décadas depois se tornariam alvo de estudos e debates dentro e fora do Brasil.

Mendes se aprofundou em fenômenos paranormais na Amazônia

Mais do que registrar relatos sobre fenômenos paranormais, Carlos Mendes contribuiu para preservar parte importante da memória social da Amazônia.

Carlos Mendes esteve entre os jornalistas que mais se aprofundaram na investigação desses acontecimentos. Durante anos, reuniu depoimentos de testemunhas, documentos militares, fotografias e relatos inéditos relacionados à Operação Prato. O resultado desse trabalho foi consolidado no livro “Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato”, lançado inicialmente em 2019. A obra rapidamente tornou-se referência para estudiosos da ufologia, pesquisadores da Amazônia e leitores interessados em compreender um dos maiores mistérios da história brasileira recente. (Com Diário do Pará)

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