Cinco meses após a conclusão da pavimentação histórica da BR-422, a rodovia voltou a preocupar motoristas que dependem diariamente do trecho entre Tucuruí e Novo Repartimento, no sudeste do Pará. Um processo erosivo registrado às margens da pista começou a avançar sobre a estrutura da via, levantando alerta para o risco de comprometimento do tráfego em uma das principais rotas logísticas da região.
O ponto crítico está localizado a cerca de 12 quilômetros no sentido entre os dois municípios e já exige atenção redobrada de quem passa pelo local. Com o avanço da erosão, parte do acostamento e da base lateral da pista apresenta sinais de instabilidade, aumentando o temor de acidentes, principalmente em períodos de chuva intensa, comuns nesta época do ano.
Para evitar a interrupção total do fluxo de veículos, equipes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciaram uma operação emergencial na área. Máquinas trabalham na abertura de um desvio provisório, permitindo a passagem controlada de carros de passeio, ônibus e caminhões, enquanto as intervenções definitivas de contenção do talude são executadas.
As autoridades orientam os condutores a reduzirem a velocidade e seguirem rigorosamente a sinalização implantada no trecho em obras. Segundo a avaliação técnica preliminar, o volume elevado de chuvas do inverno amazônico contribuiu diretamente para o enfraquecimento do solo, provocando o deslizamento de terra e colocando em risco a sustentação da rodovia.
O problema reacende a lembrança do episódio registrado em março deste ano, quando o mesmo segmento da BR-422 sofreu erosão semelhante e precisou de resposta imediata do DNIT. Na ocasião, a intervenção foi concluída rapidamente e garantiu a trafegabilidade, mas a recorrência do problema agora levanta questionamentos sobre a resistência estrutural das soluções adotadas diante da força das chuvas na região.
Entregue em novembro de 2025, após mais de quatro décadas de espera, o asfaltamento dos 59,34 quilômetros da BR-422 representou um marco para o sudeste paraense. A obra, financiada com recursos do Novo PAC e orçada em R$ 228 milhões, transformou a mobilidade entre Tucuruí, Novo Repartimento e a ligação com a Transamazônica, reduzindo distâncias, tempo de viagem e custos para o transporte de passageiros e para o escoamento da produção agrícola.
Apesar dos avanços econômicos e sociais proporcionados pela pavimentação, o novo problema evidencia que os desafios de manutenção da rodovia ainda persistem. Enquanto o DNIT trabalha para estabilizar o trecho afetado, moradores, transportadores e produtores rurais esperam por uma solução definitiva capaz de suportar os próximos períodos chuvosos, preservando a segurança viária e garantindo que a BR-422 continue cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento da região. (Portal Debate)


