A inclusão de fotos de parlamentares em um álbum de suspeitos da polícia levantou questionamentos sobre critérios adotados em procedimentos de investigação e reconhecimento. O caso envolve duas deputadas federais que tiveram suas imagens apresentadas a uma vítima de roubo, mesmo sem relação com o crime, reacendendo o debate sobre preconceito institucional nas forças de segurança.
A Defensoria Pública de Pernambuco informou à deputada federal Duda Salabert(PDT) que ela e a também deputada Erika Hilton (Psol) tiveram suas fotos inseridas em um álbum da Polícia Civil de Pernambuco. Segundo o ofício, as imagens foram apresentadas a uma vítima de roubo ocorrido em fevereiro do ano passado.
No documento, a defensora pública Gina Muniz aponta que não houve correspondência entre a descrição da suspeita e as imagens utilizadas no procedimento. Para ela, “a única razão que pode explicar a inserção dessas fotografias no procedimento é o fato de que ambas as parlamentares são mulheres negras e trans”.
A defensora também destaca que não foi considerada a “descrição física da suspeita fornecida pela vítima” e, por isso, “contamina irremediavelmente a validade do ato probatório”.
Ainda de acordo com a Defensoria, a irregularidade já foi questionada formalmente no processo.
“A Defensoria Pública já suscitou essa nulidade nos autos da Resposta à Acusação com Pedido de Revogação da Prisão Preventiva, apresentada perante a 16ª Vara Criminal da Capital de Pernambuco”.
Duda Salabert se pronunciou
Nas redes sociais, Duda Salabertclassificou o episódio como grave e criticou o uso indevido das imagens. A deputada afirmou que não irá aceitar que a identidade de pessoas trans seja utilizada como critério de suspeição e informou que tomou medidas judiciais sobre o caso, ressaltando que isso é algo “gravíssimo” e classificou a inclusão das imagens como racismo e transfobia institucional.
Polícia de Pernambuco
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco(PCPE) afirmou que está apurando rigorosamente os fatos e que adotará todas as medidas cabíveis. A instituição também destacou que mantém diretrizes e protocolos voltados à atuação ética, responsável e livre de preconceitos.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) não se manifestou. (Com Diário do Pará)


