Ex-ministro Pádua chama de “decisão política” suposta implosão de pontes em Marabá

Engenheiro civil afirmou que somente uma decisão “política” e não “técnica” optaria pela implosão de uma estrutura que poderá ser recuperada em 6 meses.
Ex-ministro Pádua Andrade - Foto: Reprodução

MARABÁ (PA) – O engenheiro civil e ex-ministro  da Integração Nacional, em 2018, Pádua Andrade, classificou como “precipitada” e “alarmante” a suposta decisão de implodir as duas pontes sobre o Rio Itacaiúnas, em Marabá, no sudeste do Pará. Em contato com a reportagem do Portal Debate, na tarde desta quinta-feira (19), ele levantou questionamentos técnicos sobre a necessidade da medida extrema e destacou a ausência de manutenção adequada ao longo dos anos.

Pádua Andrade tem experiência direta com uma das estruturas: ele integrou a equipe da CMT Engenharia responsável pela construção da chamada segunda Ponte do Rio Itacaiúnas, concluída em 2010. Segundo ele, a obra foi entregue ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) acompanhada de um plano de manutenção que, na prática, não teria sido executado, ao longo de anos.

De acordo com o engenheiro, a falta desse acompanhamento periódico pode ter contribuído para o surgimento de problemas estruturais — tecnicamente conhecidos como “patologia estrutural”. No entanto, ele pondera que esse tipo de dano não implica, necessariamente, na demolição da estrutura. “Não é qualquer patologia estrutural que leva à implosão de uma ponte. Hoje já existem tecnologias que permitem a recuperação de pontes”, afirmou.

Entre os elementos fundamentais da estrutura das pontes, Pádua destacou o uso do “neoprene” — material composto por elastômero e chapas de aço, instalado entre as vigas e os pilares. A função desse dispositivo é absorver o impacto e o peso dos veículos, evitando danos diretos à base da ponte. Segundo ele, o desgaste desses componentes ao longo do tempo, sem substituição, pode comprometer o desempenho da estrutura, mas ainda assim é passível de correção.

Outro ponto levantado pelo ex-ministro é o tempo de vida útil das pontes de concreto. Conforme explicou, estruturas desse tipo podem durar, em média, 60 anos, desde que o plano de manutenção seja seguido rigorosamente — o que incluiria inspeções periódicas, substituição de peças e reforços estruturais quando necessários.

Pádua Andrade também apresentou uma alternativa à demolição: a restauração estrutural. Segundo ele, esse tipo de intervenção poderia ser executado em cerca de seis meses, com custo estimado em aproximadamente 20% do valor necessário para a construção de duas novas pontes. Além disso, a solução permitiria restabelecer a “trabalhabilidade estrutural” sem impactos prolongados na interrupção do trânsito em Marabá.

Apesar das críticas, o engenheiro ressaltou que não teve acesso aos últimos exames de patologia estrutural realizados nas pontes, o que, segundo ele, impede uma avaliação definitiva. Ainda assim, reforçou que considera “muito difícil” que a situação exija uma medida extrema como a implosão. Ele também classificou a possível decisão como “política”, e não técnica — ponderando que uma intervenção dessa magnitude deveria estar fundamentada em laudos detalhados e amplamente discutidos por especialistas da área para não se gastar dinheiro público de maneira desmedida.

As pontes sobre o Rio Itacaiúnas são fundamentais para o fluxo de veículos em Marabá, conectando diferentes núcleos urbanos e suportando tráfego intenso diariamente, incluindo veículos pesados. Qualquer intervenção nas estruturas tende a impactar diretamente a mobilidade, o comércio e a rotina da população.

Até o momento, o DNIT não se manifestou oficialmente sobre a possível demolição das pontes. O Portal Debate seguirá acompanhando o caso e deverá ouvir outros engenheiros especialistas em construção de pontes para aprofundar o debate técnico e apresentar, com segurança, as informações com as alternativas para solucionar o problema das estruturas no município de Marabá. (Pedro Souza)

Imagem ilustrativa da notícia DNIT realiza monitoramento na ponte sobre o rio Itacaiúnas
Ponte sobre o Rio Itacaiúnas em Marabá | Jhenyffer Azevedo/ RBATV

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