Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia revelou que chimpanzés selvagens consomem pequenas quantidades de álcool de forma natural em sua alimentação diária. A pesquisa, divulgada pelo site Xataka e assinada pelo jornalista Victor Bianchin, aponta que os animais ingerem etanol presente em frutas fermentadas, levantando novas discussões sobre a relação evolutiva entre primatas e o consumo de álcool.
O trabalho foi realizado no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, onde cientistas acompanharam um grupo de 19 chimpanzés em ambiente natural. Para evitar intervenções invasivas, os pesquisadores analisaram amostras de urina em busca do biomarcador etil glicuronídeo, substância que comprova o processamento do etanol pelo organismo. Das 20 amostras coletadas, 17 apresentaram resultado positivo, indicando consumo frequente.
A origem do álcool não está em bebidas, mas na dieta dos animais. Durante o monitoramento, observou-se que os chimpanzés se alimentavam principalmente da chamada maçã-estrelada africana, fruta que pode apresentar níveis naturais de fermentação. As análises identificaram concentrações de etanol entre 0,09% e 0,4%, suficientes para gerar ingestão diária equivalente, em termos humanos, a quase duas doses alcoólicas.
A Hipótese do Macaco Bêbado
Segundo os pesquisadores, essa descoberta fortalece a chamada hipótese do “macaco bêbado”, teoria científica que sugere que a atração humana pelo álcool pode ter raízes evolutivas. A capacidade de identificar o cheiro do etanol teria ajudado ancestrais primatas a localizar frutas maduras e mais calóricas, favorecendo a sobrevivência em ambientes naturais.
Implicações do Consumo de Álcool por Chimpanzés
Os cientistas ressaltam que o consumo observado ocorre em níveis baixos e contínuos, muito diferentes da realidade moderna humana, marcada pelo acesso a bebidas destiladas em alta concentração. O estudo, creditado ao Xataka Brasil, amplia a compreensão sobre a ecologia alimentar dos primatas e abre caminho para futuras pesquisas sobre como o etanol natural pode influenciar comportamento social, reprodução e interações entre chimpanzés selvagens. (Com Diário do Pará)


