Um casal foi preso em Ribeirão Preto (SP) suspeito de estuprar e filmar uma menina de 3 anos, filha da mulher envolvida. Identificados como Andrey Gabriel Eduardo Bento Zancarli e Leilane Vitória Oliva Coelho, eles gravavam os atos contra a criança. O caso veio à tona após um homem que mantinha uma relação extraconjugal com Leilane descobrir indícios dos abusos em mensagens no celular dela e fazer a denúncia à polícia.
Os agentes da Polícia Civil foram até a residência da família, onde prenderam Andrey, que estava com a menina e um bebê de 4 meses, filho do casal. Leilane foi detida no local de trabalho. Nos celulares dos dois, foram encontrados vídeos dos crimes, que serão submetidos a perícia.
Inicialmente, o casal foi levado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto. Posteriormente, Andrey foi transferido para a Cadeia de Santa Rosa de Viterbo (SP), enquanto Leilane permanece na cidade aguardando transferência para uma penitenciária da região.
Em declaração à EPTV, afiliada da TV Globo, Andrey admitiu ter errado, mas negou abusos sexuais, afirmando: “Foi mais por causa que gostava muito da pessoa. Basicamente por isso. A gente não estuprou uma criança, a gente acabou nem tocando nela. Não está tudo bem, não acho que está tudo bem. Sei que foi um erro gigantesco, mas a única coisa que posso deixar claro é que a gente não tocou na menina, não fez nada sexual com ela, nada do tipo”.
Segundo apuração da reportagem, Leilane afirmou em depoimento que tinha um fetiche sexual relacionado a esse tipo de abuso. O casal responderá por estupro de vulnerável e produção e armazenamento de material infantil. A defesa não foi localizada, e o Conselho Tutelar foi acionado, deixando as crianças aos cuidados de outros familiares.
Essa atrocidade contra uma criança inocente é absolutamente repugnante e inaceitável, destacando a vulnerabilidade extrema das vítimas infantis e a necessidade urgente de vigilância e denúncias para proteger os mais indefesos. Casos como esse reforçam a importância de sistemas de justiça rigorosos e apoio psicológico para as crianças afetadas, além de servirem como alerta para a sociedade combater qualquer forma de exploração ou violência contra menores.
Estatísticas de estupro e abuso sexual infantil no Brasil
No Brasil, os dados indicam um aumento significativo nos registros de violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, houve 83.988 vítimas de estupro e estupro de vulnerável entre crianças e adolescentes, com um aumento de 91,5% nos casos entre 2021 e 2023.
Isso equivale a 1 estupro a cada 6 minutos contra menores. De acordo com a UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2021 e 2023, 165 mil meninos e meninas até 19 anos foram vítimas de violência sexual, com 63.430 casos registrados em 2023 (uma vítima a cada 8 minutos). As denúncias de abuso e exploração sexual infantil pelo Disque 100 cresceram 195% nos últimos 4 anos, de 6.380 em 2020 para 18.826 em 2024.
Como denunciar
Para denunciar casos de abuso sexual infantil ou exploração de crianças e adolescentes no Brasil, é fundamental agir rapidamente e utilizar canais oficiais, que garantem anonimato na maioria dos casos. A denúncia pode ser feita de forma anônima, sem necessidade de identificação, e é essencial para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores. Abaixo, explico os principais passos e canais disponíveis, com base em fontes oficiais e confiáveis.
Disque 100 (Disque Direitos Humanos)
Como funciona: Este é o principal canal nacional para denúncias de violações de direitos humanos, incluindo abuso sexual infantil, tanto em ambientes online quanto offline. O serviço é gratuito, anônimo e opera 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados. Ao ligar, você pode relatar detalhes do caso, e a denúncia é encaminhada para as autoridades competentes, como polícia ou Conselho Tutelar.
Como denunciar: Ligue para o número 100 de qualquer telefone fixo ou celular no Brasil. Você também pode denunciar via WhatsApp pelo número (61) 99611-0100 ou pelo site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ondh.mdh.gov.br).
Dica: Forneça o máximo de informações possíveis, como local, nomes envolvidos e evidências, mas não é obrigatório.
Polícia e emergências
Polícia Militar (PM): Para situações de urgência ou flagrante, ligue para 190. Eles podem intervir imediatamente e acionar equipes especializadas.
Polícia Civil: Denuncie pelo 197 ou dirija-se a uma delegacia mais próxima. Em casos de abuso infantil, procure delegacias especializadas, como a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), dependendo da região.
Polícia Rodoviária Federal: Se o caso envolver rodovias federais (ex.: tráfico de crianças), ligue para 191.
Ministério Público: Em alguns estados, denuncie pelo 127.
Conselho Tutelar
Como funciona: Órgão local responsável pela proteção de crianças e adolescentes. Eles investigam denúncias e podem acionar a justiça. É ideal para casos não emergenciais, mas que demandam acompanhamento.
Como denunciar: Procure o Conselho Tutelar da sua cidade (consulte o endereço no site da prefeitura ou ligue para o Disque 100 para orientação). As denúncias podem ser feitas pessoalmente, por telefone ou e-mail, e são anônimas.
Denúncias online (Abuso na Internet)
SaferNet: Para conteúdos de abuso sexual infantil online, como imagens ou vídeos compartilhados na web, denuncie pelo site denuncie.org.br. Basta colar o link do conteúdo suspeito, e a SaferNet analisa e encaminha para remoção e investigação policial. É anônimo e focado em crimes cibernéticos.
Outras opções: Plataformas como Google também têm ferramentas para denunciar abuso infantil online, mas o Disque 100 cobre violações digitais.
Dicas gerais para denunciar
Anonimato: A maioria dos canais garante sigilo, mas se preferir, use um telefone público ou app de mensagens anônimas.
Evidências: Se possível, guarde provas como mensagens, fotos ou vídeos, mas não as compartilhe publicamente para evitar revitimização.
Apoio à vítima: Após a denúncia, oriente a busca por atendimento médico (SAMU: 192) ou psicológico via SUS ou centros especializados.
Importância: Denunciar salva vidas e previne mais abusos. Se você é testemunha ou vítima, não hesite – a lei protege denunciantes.
(Com Ver o Fato)


